Oriente Médio

Likud alega, sem provas, que partidos árabes ‘roubaram’ eleição em Israel

Comitê eleitoral pediu ao Shin Bet que investigue suspeita de interferência estrangeira, mas disse não poder verificá-la; o Qatar nega. Bloco de Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras.

Prédio do Knesset, o Parlamento de Israel, visto por trás de uma cerca em Jerusalém
Prédio do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém. Foto de arquivo (2018): Gary Todd — CC0. A imagem não registra a apuração nem as negociações atuais. Origem da fotografia. Condição de uso.

Horas antes de a apuração terminar, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu partido, o Likud, afirmaram, sem apresentar provas, que siglas de líderes árabes teriam “roubado” a eleição em Israel, possivelmente com ajuda do Qatar, segundo o Poder360, que cita a agência AP. O Qatar negou, chamando as alegações de “ridículas e perigosas”.

O resultado

Com a apuração encerrada na madrugada desta sexta-feira (30), o bloco de Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. O bloco de oposição obteve 48 assentos, e os partidos de líderes árabes, 19, resultado descrito como histórico. Qualquer coalizão precisa de 61 cadeiras. A participação de eleitores árabes foi recorde. Netanyahu segue como primeiro-ministro interino enquanto os partidos negociam. O panorama das projeções está na cobertura anterior deste portal.

O pedido de investigação

O presidente do comitê eleitoral, o ministro da Suprema Corte Noam Sohlberg, disse ter recebido “suspeitas sérias” de interferência estrangeira. Em carta ao Shin Bet, o serviço de segurança, afirmou não poder verificar as alegações e pediu uma investigação, com resultados em uma semana. O comitê também advertiu que as “alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral são infundadas”.

O Shin Bet respondeu que a investigação não pretende “lançar suspeitas” sobre uma parcela da população que votou de maneira democrática e legal. A oposição acusou Netanyahu de difamar os cidadãos árabes, 20% da população.

Próximos passos

  • Os resultados ainda precisam ser certificados e apresentados ao presidente Isaac Herzog na quarta-feira (4/11).
  • Herzog escolherá um parlamentar para tentar formar o governo, que pode ser Netanyahu ou outro nome. O presidente disse que fará tudo para evitar nova eleição; se a negociação fracassar, Israel pode votar de novo no início de 2027.
  • O novo Knesset deve tomar posse em 10 de novembro.

O líder centrista Yair Lapid pediu “paciência” e disse que “agora vem a parte realmente difícil”. A questão central é se os partidos da oposição se aliarão a legendas árabes ou abandonarão promessas de campanha para formar um governo de unidade com Netanyahu.

O que não está comprovado

Não há, nas fontes lidas, prova pública de fraude nem de interferência do Qatar; o que existe é a alegação do Likud, a negativa do Qatar e um pedido de apuração do comitê eleitoral. Se Netanyahu deixar o cargo, segundo o Poder360, poderá ter de responder às acusações de corrupção que se arrastam há anos.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias