Ministros do Supremo Tribunal Federal discutem como reagir à fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos e à carta em que ele se disse o “verdadeiro presidente eleito”. A leitura de um ministro e de dois auxiliares, ouvidos pela coluna de Cézar Feitoza no UOL, publicada nesta sexta-feira (30), é que pedir a prisão preventiva do senador ou avançar com outras medidas cautelares neste momento pode ser prejudicial ao tribunal. Os ministros não são identificados.
Ignorar para enfraquecer
Segundo a coluna, a avaliação é compartilhada por ministros próximos de Alexandre de Moraes: ignorar Flávio seria uma forma de enfraquecê-lo quando até aliados dele tentam se distanciar. O Supremo, diz o texto, vê na disputa pela Presidência do Senado a próxima batalha. As investigações sobre o caso Dark Horse e sobre a suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz seguiriam normalmente nesse plano.
A coluna lembra que Flávio descumpriu a ordem de entregar os passaportes à Polícia Federal. A PF pediu autorização para buscas em endereços ligados a ele e a PGR concordou, mas a autorização não veio. Colegas de Moraes interpretaram a decisão de não decidir como mudança de postura: no domingo (25), horas após a derrota na eleição, ele havia mandado apreender os passaportes do senador, por risco de fuga.
Alcolumbre e a dosimetria
Um grupo de ministros, do qual Moraes faz parte, acredita que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ganhou força para se manter no cargo na eleição de fevereiro de 2027. Segundo a coluna, Alcolumbre já acena a senadores bolsonaristas, com a indicação de que poderia propor indulto ou anistia a Jair Bolsonaro em troca de apoio à reeleição.
Está pendente no plenário a análise da constitucionalidade da Lei da Dosimetria, que reduz penas dos condenados pela tentativa de golpe e encurta prazos de progressão de regime. A aplicação está suspensa por decisão de Moraes desde 9 de maio, todas as partes já se manifestaram e a PGR foi contra a suspensão. Um ministro ouvido defende levar o tema ao plenário ainda neste ano, para não invadir 2027, quando o tribunal estaria mais exposto.
O que ainda não é decisão
São avaliações reservadas, relatadas por uma única coluna; nenhuma decisão foi tomada nem anunciada. Este portal já relatou outras versões dos bastidores do tribunal: a discussão sobre julgar a dosimetria e o ceticismo de uma ala quanto à revisão da pena de Bolsonaro. O pano de fundo está na matéria principal sobre Flávio.






















