O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu pela primeira vez a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030. Em entrevista ao Estadão, no Palácio dos Bandeirantes, disse que, terminando bem o segundo mandato, “abre uma possibilidade”, que, segundo ele, deve ser avaliada em grupo e não sozinho. O governador também afirmou que o país corre risco real de recessão sem ajuste fiscal e defendeu uma reforma ampla do orçamento.
O que ele disse sobre o futuro político
Tarcísio afirmou que o foco agora é honrar o compromisso com os paulistas, com entregas na saúde e em outras áreas, e que o cenário de 2030 será avaliado quando chegar. Citou a fé como parte de suas decisões. Segundo o Estadão, é a primeira vez que ele admite a hipótese.
Ajuste fiscal e orçamento
As avaliações abaixo são do governador, não dados verificados por Os Poderes. Tarcísio disse que o governo Lula precisa promover um ajuste, que, na avaliação dele, a política fiscal e a monetária estão em direções opostas e que há risco de “dominância fiscal”, em que os instrumentos do Banco Central perdem eficácia. Afirmou que os juros, perto de 15%, são proibitivos para o investimento, e atribuiu ao anúncio do resultado da eleição a queda da Bolsa e a alta do dólar, com efeito inflacionário. Disse esperar que a equipe econômica de Lula o aconselhe a fazer o ajuste e criticou o histórico do presidente nesse tema.
O governador defendeu uma “reforma total” do orçamento, com mais desvinculação de receitas, para abrir espaço a investimentos e a uma redução dos juros; disse que a Lei de Responsabilidade Fiscal precisa ser revigorada e que as emendas parlamentares podem ser revistas dentro de uma revisão geral. Defendeu ainda tratar saúde e educação como um bloco, a exemplo do que o estado fez ao desvincular receitas. Sobre quem pagaria a conta, afirmou que não podem ser os que mais precisam, e citou desinvestimento, desalavancagem e desindexação como caminhos.
Contexto
É a mesma entrevista em que Tarcísio defendeu reforma do Judiciário e impeachment de ministros do STF e contou que aconselhou Flávio Bolsonaro a não sair do país. Na quarta, depois da carta de Flávio, o governador divulgou nota em que pede respeito às urnas.
O que falta
Não há, nas fontes lidas, resposta do governo federal às críticas fiscais. O Estadão tem publicado a entrevista em partes, e trechos ainda não lidos por Os Poderes podem trazer novos temas.
Fonte: Estadão (entrevista exclusiva, 28/10/2026), lido às 23h do mesmo dia.






















