A Polícia Federal indiciou na quarta-feira (28) o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas por crimes financeiros. A conclusão consta de um relatório parcial no Inquérito 5.026, que tramita no Supremo Tribunal Federal e trata da tentativa de venda do Master ao BRB, segundo o Poder360 e O Globo. No mesmo documento, a PF pediu mais 60 dias para concluir a investigação.
Indiciamento é a conclusão da PF sobre a investigação; não é denúncia nem condenação. Cabe agora às autoridades competentes analisar as imputações.
O que mudou desde a quarta (atualização de quinta, 29, às 7h)
Pedido de mais 60 dias. Segundo o Poder360, que publicou a íntegra do relatório, a PF diz que a prorrogação é “imprescindível” para concluir exames periciais e diligências sobre as “demais hipóteses criminais” identificadas. Os delegados afirmam que o relatório parcial trata das linhas de investigação em que já havia suporte probatório consolidado e que a apuração envolve grande volume de documentos, uma rede extensa de agentes e muitas movimentações financeiras. A decisão sobre o prazo cabe ao STF; as fontes lidas não informam se já foi tomada.
Defesa de Vorcaro. Em nota citada pelo Poder360, os advogados de Vorcaro classificaram a medida como “açodada e afoita” e usaram o pedido de mais prazo como argumento de que a investigação não terminou, com perícias em andamento, material apreendido sem análise e depoimentos pendentes. A defesa diz que não há comprovação técnica de fraude ou prejuízo ao BRB e contesta a acusação de lavagem de dinheiro, cuja análise dos fluxos financeiros, segundo ela, ainda está pendente. As demais defesas não foram localizadas nas fontes lidas.
Controles do BRB. Segundo a Veja, em trechos abertos da reportagem (o restante é exclusivo para assinantes), a PF afirma no relatório que a diretoria do BRB confiou “cegamente” em planilhas enviadas pelo Master e abdicou, na prática, de três mecanismos de controle da cessão de créditos consignados: a verificação dos lastros, a conferência das averbações e a conciliação dos repasses. A PF diz ainda, conforme a revista, que não houve verificação sistemática dos lastros durante praticamente todo o período em que foram compradas carteiras bilionárias. A Veja informa que esses são os primeiros indiciamentos da Operação Compliance Zero, iniciada há quase um ano.
O que a PF aponta
De acordo com O Globo, as imputações se referem a R$ 17,5 bilhões em créditos cedidos pelo Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões seriam créditos sem a devida comprovação de existência. O relatório foi entregue ao ministro André Mendonça, relator do caso, e reúne as principais provas da primeira fase da Operação Compliance Zero.
Segundo o Poder360, a PF vê um esquema de operações com carteiras de crédito de origem questionável, produção posterior de documentos e suposta ocultação da titularidade e da movimentação de recursos, com participação de integrantes das estruturas executivas, financeiras, jurídicas e operacionais dos bancos.
- Vorcaro: gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O Globo acrescenta induzimento a erro e fraude em fiscalização, e diz que os investigadores o descrevem como líder da organização; a Veja lista ainda prestação de informação falsa.
- Paulo Henrique Costa: gestão fraudulenta e organização criminosa. Descrito pela PF, na versão de O Globo, como principal agente de articulação institucional no BRB, para que as operações fossem implementadas no banco público.
- Os outros 13: ex-sócio e executivos do Master, pessoas ligadas à empresa Tirreno, um advogado e ex-diretores e dirigentes do BRB, segundo as reportagens.
Posição da defesa
Antes do indiciamento, Vorcaro já havia chamado de “narrativa fantasiosa” a alegação de fraude e afirmado que os negócios com o BRB foram lícitos e decididos por instâncias colegiadas, sem prejuízo ao banco, segundo o Poder360. O Os Poderes não localizou, até esta consulta, manifestação dos demais indiciados.
O que falta
Falta a decisão do STF sobre a prorrogação e uma eventual denúncia do Ministério Público, que é o ato que abre a ação penal se aceita pela Justiça. Os Poderes não leu o relatório da PF; as informações vêm das reportagens citadas, e a leitura da Veja ficou restrita às partes abertas.






















