Economia

Moody’s vê fragilidade institucional no Paraguai, mas não prevê mudar a nota

Agência diz que a quebra do Ueno Bank expôs falhas de governança e de fiscalização, mas mantém a visão de fundamentos sólidos; o risco-país paraguaio subiu cerca de 16% em seis pregões.

Fachada rosa do Palácio de los López, sede do governo do Paraguai, com a bandeira nacional hasteada, vista de um jardim em Assunção
Palácio de los López, sede do governo do Paraguai, em Assunção, em 14/09/2026. Foto de arquivo: MosheA — CC0. A imagem não registra o relatório da Moody’s. Origem da fotografia. Condição de uso.

A agência de classificação de risco Moody’s afirmou nesta sexta-feira (6) que a quebra do Ueno Bank e a crise política que derrubou o presidente Santiago Peña expuseram fragilidades institucionais e problemas de governança no Paraguai. A agência não anunciou mudança na nota do país, hoje Baa3 com perspectiva estável, o primeiro degrau da categoria de grau de investimento, e não prevê, por enquanto, efeito sobre ela.

O que diz o relatório

  • Fundamentos: a Moody’s considera que a economia paraguaia mantém bases sólidas, com crescimento da atividade e dívida pública de cerca de 38% do PIB.
  • Falhas: para a agência, os acontecimentos recentes mostram deficiências persistentes no combate à corrupção e na capacidade de fiscalização das instituições, inclusive a supervisão financeira.
  • Risco principal: uma instabilidade política prolongada que abale a confiança dos investidores. A Moody’s diz esperar uma transição de poder ordenada e a manutenção da política econômica, baseada em disciplina fiscal, autonomia do Banco Central e controle da inflação.
  • Sucessão: o texto trata o vice, Pedro Alliana, como sucessor constitucional e considera provável que ele preserve a orientação econômica do governo. Alliana tomou posse na noite desta sexta, depois de o Senado destituir Peña.

Mercado e tamanho do Ueno

Segundo dados de mercado reunidos em reportagens, o risco-país do Paraguai passou de 119 para 138 pontos-base em seis sessões, alta de cerca de 16%, e os títulos da dívida do país perderam valor; o câmbio também mostrou sinais de pressão. Mesmo assim, o Paraguai segue entre os países latino-americanos de menor risco soberano. O Ueno Bank, que entrou em processo de resolução no início da semana, concentrava 9% dos depósitos e 8% dos empréstimos do sistema bancário em setembro.

E o Brasil?

A colunista Miriam Leitão avalia que o impacto no Brasil é limitado. O comércio bilateral somou US$ 5,84 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, dos quais US$ 3,19 bilhões em exportações brasileiras, e ela vê o sistema bancário brasileiro protegido pelas regras prudenciais do país. Ainda segundo a coluna, a crise reabre aqui a discussão sobre o papel do Fundo Garantidor de Créditos. É uma avaliação da colunista, não projeção oficial.

A Moody’s não alterou a nota; relatório e cotações refletem o momento em que foram divulgados e podem mudar. A foto é de arquivo e não registra o relatório da agência.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias