O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja reestruturar o Gabinete Pessoal para o quarto mandato, com mais atribuições e a nomeação de alguém para cuidar só da agenda privada, segundo aliados ouvidos na apuração. Uma das propostas em discussão é transferir para lá a gestão das páginas de Lula nas redes sociais, hoje a cargo da Secretaria de Comunicação Social (Secom). Assessores do presidente disseram não ter notícia de mudanças na equipe.
O que está em estudo
- Redes sociais: com os perfis sob uma assessoria direta, Lula teria mais agilidade para publicar vídeos, por exemplo pela manhã. Sob gestão do governo, as páginas se restringem ao relato de agendas oficiais. A expectativa de pessoas próximas é que a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, passe a ter maior influência na comunicação pessoal do presidente.
- Agenda: a ideia é nomear um secretário particular para organizar a agenda privada. O chefe de gabinete ficaria com a agenda presidencial de caráter administrativo, como a articulação entre ministérios.
- Nomes cotados: o ex-ministro da Secom Paulo Pimenta, derrotado na disputa ao Senado pelo Rio Grande do Sul; o ex-prefeito de Osasco e deputado estadual Emídio de Souza; e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, que teria o endosso de Janja.
De onde vem a ideia
Cogitada e descartada na montagem do governo, em 2023, a mudança voltou à mesa depois que Lula adotou os vídeos em formato de selfie na campanha. O primeiro foi publicado em 7 de outubro, logo após o presidente chegar em desvantagem ao segundo turno; a mudança de tom é apontada como um dos motivos da virada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Depois da vitória, Lula disse que pretende manter o recurso. Ele afirmou que Janja, o deputado André Janones (Rede-MG) e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, foram incentivadores das selfies. Na campanha, os perfis do presidente chegaram a ser transferidos temporariamente ao PT, para dar mais contundência ao debate, sem as amarras impostas ao governo.
O pano de fundo no gabinete
A ideia de profissionalizar a estrutura do Palácio ganhou força com o afastamento do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, citado em investigação sobre tráfico de influência por ter recebido pagamentos da lobista Roberta Luchsinger. Ele afirma que os valores eram parte de um empréstimo, quitado recentemente. Desde o caso, Márcio Tavares passou a organizar a agenda do presidente e é lembrado para a chefia de gabinete no próximo mandato.
O que ainda não há
Nas informações apuradas até a publicação, não há ato ou anúncio oficial. Aliados repetem que Lula evita antecipar o desenho que planeja para a Esplanada no futuro mandato, e o OsPoderes não localizou manifestação pública do Planalto sobre o tema. Tudo o que está acima é relato de aliados, não decisão do presidente. Sobre o desenho do ministério, veja a matéria sobre os 40 ministérios.
Foto: Janja e o presidente Lula com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, em 15/7/2024, imagem de arquivo (Lula Oficial, CC BY-SA 2.0).





















