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Quem é Miguel Vázquez, o dono do Ueno Bank que se entregou às autoridades

Aos 36 anos, empresário de terceira geração levou o Ueno de meio milhão de usuários, em 2023, a mais de 3 milhões, em 2026; o banco foi liquidado, e a crise derrubou o governo de Santiago Peña.

Dois homens sorrindo, de boné e cachecol azuis, em evento da Conmebol em Assunção; um deles é Miguel Vázquez, dono do Ueno Bank
Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, e Miguel Vázquez, dono do Ueno Bank, em coletiva em Assunção, em 17/2/2026 (recorte). Foto de arquivo: Agencia Paraguay — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a crise atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

Federico Miguel Vázquez Villasanti, de 36 anos, é o acionista majoritário do Grupo Vázquez, holding que controlava o Ueno Bank, o banco digital liquidado pelo Banco Central do Paraguai (BCP) na terça (3). Ele se entregou às autoridades esta semana, e seus bens foram alvo de buscas e apreensões do Ministério Público. A queda do banco, que tinha mais de 3 milhões de clientes em um país de pouco menos de 6,5 milhões de habitantes, acabou derrubando o governo de Santiago Peña por causa das supostas ligações dele com o grupo. Vázquez é investigado junto com outros executivos; ainda não há condenação.

De onde vem o grupo

  • Família: Vázquez se descreve como empresário de terceira geração. O avô materno tinha uma concessionária Mercedes-Benz, e o pai fundou a Credicentro, empresa de empréstimos ao consumidor, na década de 1980. Filho único, estudou Administração de Empresas e obteve diplomas em universidades americanas.
  • Bolsa: a empresa se consolidou ao adquirir outras menores e investir em outros setores, e fez oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Assunção em 2012.
  • Expansão: o crescimento acelerou em 2021, com a compra da Financiera El Comercio. A Credicentro virou Ueno Holdings e pediu ao BCP autorização para operar como banco.
  • Banco: a aprovação veio em 2023, depois de Peña assumir a Presidência. O Ueno era quase inteiramente digital, lançou promoções para atrair clientes e ficou popular ao patrocinar a seleção paraguaia de futebol. Passou de meio milhão de usuários em 2023 para mais de 3 milhões em 2026.
  • Ambição: Vázquez dizia querer criar a primeira empresa paraguaia listada na Bolsa de Nova York. Por meio do grupo, também apoiou categorias do automobilismo, como o Mundial de Rali (WRC).

A relação com Peña

Em entrevistas à imprensa paraguaia, Vázquez chamou Peña de “verdadeiro amigo” e disse que ele era investidor minoritário da Credicentro em 2018. Peña afirma ter vendido suas ações na Ueno Holdings em 2025 e nega os crimes de que é acusado. O ex-presidente perdeu o cargo no impeachment aprovado pelo Senado na sexta (6) e foi acusado formalmente neste sábado (7) pelo Ministério Público, que pediu sua prisão preventiva, decisão que cabe a um juiz. Veja a cobertura da acusação contra Peña.

O que pesa contra os executivos

Além de Vázquez, outros sete executivos do grupo foram colocados à disposição das autoridades para responder por acusações que incluem abuso de confiança, fraude e conduta que levou à falência. A promotoria afirmou que a lista de acusações pode ser ampliada conforme a investigação avança. A Itaipu Binacional também apresentou, neste sábado, denúncia criminal contra dirigentes do banco, entre eles Vázquez: veja a matéria sobre a denúncia da Itaipu. Para a comparação com a crise brasileira, veja o que o Ueno e o Master têm em comum.

O que falta saber: o que será do restante das operações e investimentos do Grupo Vázquez, dada a intervenção e a liquidação da Ueno Holdings, e quais acusações serão formalizadas contra cada executivo. A defesa de Vázquez não aparece nas informações apuradas até agora.

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