A Itaipu Binacional apresentou, neste sábado (7), uma denúncia criminal contra dirigentes do Ueno Bank para tentar recuperar o dinheiro que mantinha no banco paraguaio, hoje sob intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP). Os depósitos somavam cerca de US$ 163,8 milhões e 115,2 bilhões de guaranis, o equivalente a aproximadamente US$ 180 milhões (cerca de R$ 950 milhões) em 3 de novembro, segundo comunicado divulgado pela própria binacional. Os números são da Itaipu, sem confirmação independente.
O que a denúncia aponta
- Quem faz a denúncia: a Diretoria Jurídica Executiva da binacional, contra integrantes da diretoria, administradores, fiscais e outros responsáveis pelo banco.
- Crimes mencionados: estelionato, conduta indevida em situações de crise e violação do dever de manter livros contábeis. São enquadramentos apontados pela denúncia, não conclusões da Justiça.
- Nomes citados: Federico Miguel Vázquez Villasanti, Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández e Diana Leticia Mongelos González, além de outros integrantes da diretoria e do conselho fiscal.
- Pedido: a Itaipu quer que os fatos sejam analisados em conjunto com a investigação criminal já em andamento sobre o banco, para evitar duplicação de procedimentos, e se reserva o direito de atuar como assistente da acusação e de cobrar indenizações.
- Fundação: a denúncia inclui recursos repassados à Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Paraguai para projetos específicos; a binacional argumenta que, mesmo com a conta em nome da fundação, o dinheiro é dela e sua perda afeta o patrimônio da empresa.
Quanto isso representa
Segundo a Itaipu, os depósitos no Ueno correspondiam a 7,6% dos recursos recebidos por meio de remessas do Brasil entre 2024 e 2026, período em que a binacional recebeu mais de US$ 2,4 bilhões do país. Esses valores incluem receitas repassadas pela estatal paraguaia de energia (Ande) e transferências entre contas da própria Itaipu para cumprir obrigações contratuais e convênios. A binacional informou ter iniciado operações com o Ueno em janeiro de 2025. Segundo reportagem de jornal paraguaio, os depósitos não foram retirados mesmo depois de o BCP abrir, em setembro, um procedimento para investigar operações entre empresas vinculadas ao banco.
O que Itaipu dizia até aqui
Na sexta (6), a binacional havia informado que a crise do Ueno não afetava os recursos da margem brasileira nem a produção de energia, e que não havia dinheiro sob gestão do lado brasileiro depositado ou aplicado no banco; do lado paraguaio, a previdência dos trabalhadores, a Cajubi, declarou cerca de 100,7 bilhões de guaranis (aproximadamente R$ 90 milhões) no Ueno. Veja a matéria sobre a nota de sexta. O comunicado deste sábado trata dos depósitos da Itaipu como um todo, e não detalha, nas informações apuradas, quanto vem de cada margem.
Contexto
O BCP identificou que o índice de solvência do Ueno estava abaixo de 50% do mínimo exigido, o que levou à intervenção e à paralisação das operações de mais de 3 milhões de contas. O caso ganhou dimensão política porque instituições públicas paraguaias, incluindo o Instituto de Previdência Social (IPS), também mantinham depósitos no banco: segundo a imprensa paraguaia, os recursos de órgãos públicos e do IPS somavam 4,9 trilhões de guaranis (cerca de R$ 4,2 bilhões). A crise levou ao impeachment do então presidente Santiago Peña. Veja a cobertura da acusação formal contra Peña e a matéria sobre o dinheiro público e de previdência retido no banco.
O que falta saber: se o dinheiro será recuperado e em que prazo, o que a binacional pretende fazer com a parcela ligada a projetos e se a Justiça paraguaia aceitará a denúncia em conjunto com o inquérito em curso. Denúncia não é condenação, e as defesas dos citados não foram apresentadas nas informações apuradas até agora.





















