O Ueno Bank, em processo de resolução no Paraguai, guardava recursos de fundos de previdência e de estatais, e a recuperação desse dinheiro depende do andamento da liquidação. Em paralelo, o Banco Central do Paraguai (BCP) começou na quinta-feira (5) a devolver parte dos depósitos, até 40 salários mínimos por cliente, pela Lei nº 7.755 de 2026, aprovada na quarta (4). A crise é a base do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, que o Senado retoma nesta sexta (6); veja a cobertura completa.
Quanto dinheiro público estava no banco
- Total: reportagem estima que o banco administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, dos quais cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social (IPS), que reúne fundos de aposentadoria e saúde.
- IPS: a gerente financeira do instituto, Gladys Vera, declarou na quarta ao jornal paraguaio ABC Color que a entidade mantinha cerca de US$ 355 milhões no Ueno, em depósitos a prazo e valores disponíveis, aproximadamente 9% de seus investimentos; as duas reportagens divergem no valor do IPS (US$ 380 milhões e US$ 355 milhões). Desse montante, 46 bilhões de guaranis estavam em depósitos à vista. O instituto tem recursos em 14 bancos e avalia medidas para recuperar o dinheiro; cerca de 32 mil aposentados recebiam benefícios em contas do Ueno, e a entidade diz que aposentadorias e pensões continuam sendo pagas.
- ANDE: a Administração Nacional de Eletricidade tinha cerca de US$ 46 milhões de empréstimos do BID e de Taiwan para obras, além de cerca de 36 bilhões de guaranis próprios, segundo o presidente da estatal, Miguel Báez, em declaração de 3 de novembro.
- Itaipu: a Caja de Jubilaciones de Itaipú, previdência dos funcionários da binacional, tinha 41,3 bilhões de guaranis em certificados de depósito, divididos em cinco fundos, segundo sua memória institucional de 2025. A entidade diz que manterá o pagamento de benefícios e não informou quanto espera recuperar.
- AFD: a Agência Financeira de Desenvolvimento era o principal credor local do banco, segundo relatório da Moody’s citado na imprensa paraguaia; em junho de 2026, o valor devido à agência equivalia a 38% do patrimônio líquido da instituição financeira. O percentual não representa perda já registrada nem significa que o Estado seja dono dessa parcela do banco.
A devolução aos depositantes
- Prazo e base: o BCP iniciou o processo de resolução na terça (3), depois de constatar que o índice de solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo exigido. A lei de quarta autoriza o pagamento antecipado de parte da garantia dos depósitos; o adiantamento começou na quinta.
- Como funciona: até 40 salários mínimos por depositante, com desconto de dívidas em atraso com o banco, pagos por outras instituições financeiras. O BCP criou uma plataforma para o cliente consultar onde receberá, que teve instabilidade pelo volume de acessos.
- O que falta: o dinheiro de entidades públicas e dos credores só será recuperado conforme o resultado da resolução e os bens e recursos que o banco tiver para pagar seus credores. Não há prazo informado.
Foto de arquivo da sede do Banco Central do Paraguai, tirada em 2009; a imagem não registra a crise atual.




















