Congresso

MP que proíbe as bets segue sem relator; prazo inicial vence em 23/11

A MP 1.394/2026 completa 42 dias sem andamento visível no Congresso; o calendário marca 9/11 para o sobrestamento de pauta, e a comissão mista não foi instalada, segundo reportagens.

Torres e cúpulas do Congresso Nacional iluminadas à noite, refletidas no espelho d'água, em Brasília
Congresso Nacional, em Brasília, em 26 de março de 2025. Foto de arquivo: Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a tramitação da MP. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa (as bets) no país, completa 42 dias desde a publicação, em 25 de setembro, sem andamento visível no Congresso. O prazo inicial de vigência vai até 23 de novembro, e o calendário registrado marca 9 de novembro como o início do sobrestamento de pauta previsto na Constituição para MPs não apreciadas.

O que o registro oficial mostra

O histórico de tramitação na Câmara dos Deputados tem apenas três registros: a publicação no Diário Oficial, a abertura de prazo (emendas, calendário e sobrestamento de pauta) e um ofício do Congresso, de 1º de outubro, que comunica a constituição das comissões mistas e o calendário das MPs 1.393 e 1.394. O registro da Câmara não indica relator. Reportagens de 3 de novembro afirmam que a comissão mista ainda não foi instalada e que a MP não tem relator definido; a movimentação mais visível foi a apresentação de emendas.

Prazos

  • 25/09 a 23/11: prazo inicial de 60 dias no Congresso, segundo o calendário registrado.
  • A partir de 9/11: sobrestamento de pauta.
  • Prorrogação: a Constituição (art. 62, §7º) permite prorrogar uma vez por igual período; o registro da Câmara indicava “prazo ainda não prorrogado”. Como a contagem fica suspensa no recesso parlamentar, um cálculo publicado no fim de setembro apontava que a perda de validade, se não houver votação, ficaria para 2027. Se a MP não for convertida em lei no prazo, ela perde a eficácia.

Governo e Supremo

Depois da publicação, o governo afirmou considerar prioritária a apreciação do texto ainda neste ano e disse que pretendia articular a votação com os líderes da base. No Supremo Tribunal Federal, entidades do setor de apostas contestam a MP em diferentes ações, e o ministro Luiz Fux, relator, conduziu na terça-feira (3) audiência pública sobre o tema; Fux disse que avaliará “novos argumentos” após a MP. O Ministério da Justiça também pôs sigilo de cinco anos nos documentos que embasaram a medida.

O que ainda não aconteceu

  • Instalação da comissão mista e designação do relator.
  • Votação na Câmara e no Senado.
  • Decisão do STF sobre os pedidos de suspensão da MP.

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