Brasil

Mendonça extingue no TSE processo sobre sigilos de Lula e Flávio

Decisão de quarta-feira (4) encerra o caso sem julgar o mérito e acompanha parecer do Ministério Público Eleitoral; divulgação dos dados fica a critério dos próprios titulares.

O ministro André Mendonça, de toga, sentado na cadeira de couro dourado do plenário do Supremo Tribunal Federal
O ministro André Mendonça em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em 22/10/2025. Foto de arquivo: Rosinei Coutinho/STF — uso livre com atribuição. A imagem não registra a decisão no TSE. Origem da fotografia e condição de uso.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), extinguiu o processo que tratava da abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão, publicada na quarta-feira (4), encerra o caso sem resolução do mérito e acompanha parecer do Ministério Público Eleitoral.

O entendimento já havia sido apresentado pelo ministro em 22 de outubro e reiterado no dia seguinte. Na ocasião, Mendonça afirmou que não cabia ao TSE fiscalizar o acordo anunciado pelos então candidatos nem atuar como garantidor de compromissos assumidos na campanha. Segundo ele, os próprios titulares podiam divulgar os dados voluntariamente, sem intervenção da Corte.

O que o Ministério Público Eleitoral defendeu

O órgão também pediu o encerramento. Para o Ministério Público Eleitoral, não havia questão estritamente eleitoral que justificasse a atuação da Justiça Eleitoral. A manifestação destacou que a proteção dos sigilos está ligada aos direitos à intimidade e à privacidade, mas não impede que os titulares autorizem a divulgação das informações.

Como o impasse começou

  • 18 de outubro: no debate presidencial da Band, Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos e os de familiares.
  • 21 de outubro: o senador aceitou a proposta, mas apresentou 19 exigências para a divulgação.
  • 22 de outubro: a campanha de Lula entregou ao TSE procurações que autorizavam a obtenção dos dados do presidente, de familiares e de aliados. A equipe de Flávio disse que só apresentaria os documentos depois de analisar o material entregue pelos adversários.

O que muda

Com a extinção, o TSE deixa de ser o ambiente para a abertura dos sigilos: qualquer divulgação depende agora da vontade de cada um dos dois. A decisão não analisa se os dados devem ou não ser tornados públicos. Na quinta-feira (5), o tribunal tomou outra decisão sobre a chapa vencedora: o corregedor abriu a ação do Novo que pede a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin, como mostra esta reportagem.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias