O Orçamento de 2027 começa R$ 26,3 bilhões mais apertado por dois movimentos ligados às estatais federais: o governo espera receber menos dividendos e prevê gastar mais com aportes, sobretudo o socorro aos Correios. Os números constam do Relatório de Riscos Fiscais da União, do Tesouro Nacional, divulgado na terça-feira (3).
Os números
- Dividendos: a previsão cai de R$ 51,5 bilhões em 2026 para R$ 30,9 bilhões em 2027, queda de R$ 20,6 bilhões, ou 40%.
- Aportes às estatais: passam de R$ 257 milhões em 2026 para R$ 6 bilhões em 2027, valor previsto no plano de socorro dos Correios; é uma alta de cerca de R$ 5,7 bilhões.
- Efeito somado: piora de R$ 26,3 bilhões no equilíbrio do Orçamento de 2027, em comparação com os recursos deste ano.
Ressalva sobre 2026
O governo arrecadou R$ 21 bilhões em dividendos até setembro, dado do Tesouro, cerca de 40% dos R$ 51,5 bilhões estimados para este ano. Isso não significa, necessariamente, frustração de receita: os pagamentos não são distribuídos de forma uniforme e podem se concentrar nos últimos meses.
Correios e outras estatais
Os Correios tiveram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, depois de fechar 2025 com resultado negativo de R$ 8,5 bilhões, e passam por reestruturação das contas. Segundo dados do Banco Central, as estatais federais acumularam déficit primário de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro, o maior para o período desde o início da série, em 2002; o cálculo não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.
O Tesouro alerta que o cenário dos Correios pode continuar a se agravar mesmo com as medidas de reestruturação, e que outras estatais podem precisar de aportes emergenciais nos próximos anos. Entre as citadas estão a Eletronuclear, cujas dificuldades representam risco para a ENBPar, a Casa da Moeda e companhias que administram portos.
O que pesa em 2027
A equipe econômica já anunciou que precisará remanejar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento do próximo ano para acomodar medidas de estímulo anunciadas na campanha. A meta fiscal de 2027 é um superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões. Outra frente de arrecadação, a MP do Imposto Seletivo, está em matéria do Os Poderes.
O que não está confirmado
Os números do relatório foram colhidos em reportagem; o documento do Tesouro não foi consultado diretamente nesta edição. O material lido não traz comentário do Tesouro, do Ministério da Fazenda ou dos Correios sobre as projeções.






















