Economia

Dividendos de estatais caem 40% e Orçamento de 2027 tem piora de R$ 26 bi

Queda de R$ 20,6 bilhões nos lucros repassados à União e aporte de R$ 6 bilhões aos Correios apertam as contas de 2027, ano de meta de superávit de 0,5% do PIB.

Fachada do edifício dos Correios no Setor Comercial Sul, em Brasília, com o logotipo da empresa no alto do prédio.
Edifício dos Correios no Setor Comercial Sul, em Brasília, em 8 de junho de 2015. Foto de arquivo: Senado Federal — CC BY 2.0. A imagem não registra os números do Tesouro. Origem da fotografia. Condição de uso.

O Orçamento de 2027 começa R$ 26,3 bilhões mais apertado por dois movimentos ligados às estatais federais: o governo espera receber menos dividendos e prevê gastar mais com aportes, sobretudo o socorro aos Correios. Os números constam do Relatório de Riscos Fiscais da União, do Tesouro Nacional, divulgado na terça-feira (3).

Os números

  • Dividendos: a previsão cai de R$ 51,5 bilhões em 2026 para R$ 30,9 bilhões em 2027, queda de R$ 20,6 bilhões, ou 40%.
  • Aportes às estatais: passam de R$ 257 milhões em 2026 para R$ 6 bilhões em 2027, valor previsto no plano de socorro dos Correios; é uma alta de cerca de R$ 5,7 bilhões.
  • Efeito somado: piora de R$ 26,3 bilhões no equilíbrio do Orçamento de 2027, em comparação com os recursos deste ano.

Ressalva sobre 2026

O governo arrecadou R$ 21 bilhões em dividendos até setembro, dado do Tesouro, cerca de 40% dos R$ 51,5 bilhões estimados para este ano. Isso não significa, necessariamente, frustração de receita: os pagamentos não são distribuídos de forma uniforme e podem se concentrar nos últimos meses.

Correios e outras estatais

Os Correios tiveram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, depois de fechar 2025 com resultado negativo de R$ 8,5 bilhões, e passam por reestruturação das contas. Segundo dados do Banco Central, as estatais federais acumularam déficit primário de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro, o maior para o período desde o início da série, em 2002; o cálculo não inclui Petrobras, Eletrobras e bancos públicos.

O Tesouro alerta que o cenário dos Correios pode continuar a se agravar mesmo com as medidas de reestruturação, e que outras estatais podem precisar de aportes emergenciais nos próximos anos. Entre as citadas estão a Eletronuclear, cujas dificuldades representam risco para a ENBPar, a Casa da Moeda e companhias que administram portos.

O que pesa em 2027

A equipe econômica já anunciou que precisará remanejar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento do próximo ano para acomodar medidas de estímulo anunciadas na campanha. A meta fiscal de 2027 é um superávit primário de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões. Outra frente de arrecadação, a MP do Imposto Seletivo, está em matéria do Os Poderes.

O que não está confirmado

Os números do relatório foram colhidos em reportagem; o documento do Tesouro não foi consultado diretamente nesta edição. O material lido não traz comentário do Tesouro, do Ministério da Fazenda ou dos Correios sobre as projeções.

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