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Oposição do Paraguai vai denunciar Peña por enriquecimento ilícito

Senadores anunciam ação criminal contra o presidente que renunciou e dirigentes do Banco Central. Ueno guardava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, segundo reportagem.

Edifício-sede do Banco Central do Paraguai visto ao longe, sobre colina com árvores floridas, sob céu cinzento.

Sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção, em 2009. Foto de arquivo: Cmasi — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a denúncia anunciada nesta quinta (5). Origem da fotografia. Condição de uso.

Senadores da oposição do Paraguai anunciaram nesta quinta-feira (5) que apresentarão uma denúncia criminal contra o presidente Santiago Peña, por suposto enriquecimento ilícito, tráfico de influência e gestão em benefício próprio, ligados à quebra do Ueno Bank. A denúncia corre em paralelo ao impeachment, que segue mesmo depois da renúncia. São acusações de parlamentares da oposição; ninguém foi julgado, e Peña não tinha respondido a elas nos textos consultados.

Quem seria alvo

  • A denúncia amplia uma ação anterior da oposição, apresentada depois de o Banco Central anunciar, na terça (3), a intervenção no Ueno.
  • Além de Peña, entram o ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera; o ex-presidente do Banco Central e ex-presidente do Ueno Carlos Carvallo; os diretores do BC Liana Caballero, Miguel Ángel Mora e Marco Aurelio González; e o superintendente de Bancos, Holger Insfrán.
  • Também seriam citadas autoridades de instituições estatais que depositaram recursos no banco, como o Instituto de Previdência Social e a Administração Nacional de Eletricidade.

O que os senadores dizem

Os parlamentares apontam um “crescimento milagroso” do patrimônio de Peña na última década e afirmam que a falta de supervisão do Banco Central sobre as operações ligadas ao Ueno levou à crise. O senador Rafael Filizzola, do Partido Democrático Progressista, afirmou que o presidente seria o “cabeça” de um mecanismo para usar dinheiro público em negócios particulares. Até março de 2025, Peña era acionista da holding controladora do banco.

Dinheiro público no banco

  • O Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões (perto de R$ 4,5 bilhões) em recursos públicos, segundo reportagem. Desse total, em torno de US$ 380 milhões pertencem ao Instituto de Previdência Social, que reúne fundos de aposentadoria e saúde.
  • A quebra deve afetar o pagamento de benefícios a aposentados no país, de acordo com a mesma reportagem. Os depósitos de cerca de 3 milhões de pessoas estão congelados.
  • A reportagem cita o salto do patrimônio declarado de Peña, de pouco mais de 1,3 bilhão de guaranis (cerca de R$ 840 mil) em 2017 para mais de 23 bilhões (cerca de R$ 19 milhões) até 2023, um dos pontos do pedido de impeachment.

O contexto

Peña apresentou a renúncia nesta quinta, mas a Câmara manteve o processo de impeachment contra ele, e o vice, Pedro Alliana, deve assumir. Veja o acompanhamento da crise e da renúncia e a reportagem sobre a venda de carteira que o Ministério Público diz ter sido simulada.

Foto de arquivo da sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção; a imagem não registra os fatos desta quinta.

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