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Amorim vê na crise do Paraguai chance de aproximar país do Mercosul

Assessor especial de Lula disse esperar que a saída de Peña afaste o Paraguai do "Escudo das Américas"; Planalto vê revés para aliados de Trump e teme instabilidade, diz reportagem.

Montagem com dois retratos lado a lado: à esquerda, Celso Amorim, de cabelo e barba grisalhos, de terno; à direita, Santiago Peña, sorrindo, de terno azul.
Montagem de fotos de arquivo: Celso Amorim (Rio de Janeiro, 2012, Felipe Barra/Ministério da Defesa — CC BY 2.0; origem) e Santiago Peña (Foz do Iguaçu, 20/12/2025, Ricardo Stuckert/PR — CC BY-SA 4.0; origem). As imagens não registram os fatos desta matéria.

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, disse na quinta-feira (5) esperar que a crise política no Paraguai aproxime o país do Mercosul e o afaste do “Escudo das Américas”, aliança de segurança lançada pelo governo de Donald Trump em março, da qual o Brasil não faz parte e a que o governo de Santiago Peña aderiu formalmente. A declaração foi dada em conversa com uma apresentadora de televisão, depois do anúncio de renúncia de Peña, que o Congresso paraguaio ainda não aceitou.

O que disse Amorim

  • Causa da crise: segundo Amorim, a renúncia ocorreu por razões internas, ligadas à crise bancária do Ueno Bank, e aparentemente seguiu o rito constitucional do país.
  • Alinhamento com Washington: ele criticou a proximidade do governo Peña com os Estados Unidos e citou o acordo militar que permite a presença de militares americanos no Paraguai para treinamentos, o que, pela proximidade geográfica, preocupava o governo brasileiro.
  • Relação bilateral: afirmou que o Paraguai “já esteve muito mais próximo do Brasil” e que alguns políticos paraguaios adotavam posições críticas ao Brasil. Disse ter esperança de que a mudança permita avançar em questões pendentes, entre elas as de energia e Itaipu, e ressalvou que ninguém deseja renúncias nem crises.

A avaliação do Planalto

Segundo a reportagem consultada, o Palácio do Planalto avalia, sem que a avaliação tenha sido atribuída a um porta-voz identificado, que a saída de Peña é mais um revés para a direita alinhada a Trump na região, depois da reeleição de Lula e da derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato dos EUA. O governo acompanha a crise com cautela, teme instabilidade no país vizinho e evita manifestações públicas por considerar a sucessão uma questão interna paraguaia.

  • Expectativa: em Brasília, a leitura é que a saída de Peña tenha pouco efeito sobre a relação com o Paraguai, considerada construtiva. Se a crise se prolongar, a preocupação é com reflexos na fronteira e na parceria em Itaipu.
  • Mercosul: Lula deve participar da cúpula do bloco em Montevidéu, no início de dezembro. A expectativa é que o Paraguai seja representado pelo vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo.

O que ainda está em aberto

A renúncia de Peña não foi aceita: a sessão conjunta do Congresso que a analisaria foi suspensa na quinta, e a Câmara aprovou o impeachment por 78 votos. O Senado convocou sessão extraordinária para as 10h (Brasília) de sexta-feira (6), na qual Peña deve se defender. Alliana, portanto, ainda não tomou posse. Veja o resumo da crise e do impeachment e a avaliação do Itamaraty.

Montagem de fotos de arquivo; as imagens não registram os fatos desta matéria.

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