Economia

Maílson diz que corte artificial da Selic levaria o dólar a R$ 6 ou R$ 7

Ex-ministro da Fazenda critica a proposta de André Lara Resende, vê risco de fuga de capitais e defende manter a Selic em 13,75%; Durigan já negou tabelamento.

Maílson da Nóbrega, de terno cinza e gravata, gesticula durante palestra, diante de cortina vermelha.
Maílson da Nóbrega em palestra, em 14/8/2012. Foto de arquivo: Dell Inc. — CC BY 2.0. A imagem não registra a entrevista atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que uma redução “artificial” da Selic poderia provocar fuga de capitais e levar o dólar à faixa de R$ 6 a R$ 7. Em entrevista ao programa VEJA em Foco, segundo a Veja, ele criticou a proposta do economista André Lara Resende de mudar a coordenação entre as políticas fiscal e monetária para baixar os juros de forma gradual.

O que ele disse

  • Câmbio: ao ser anunciada uma medida desse tipo, “haverá uma fuga de capitais”, segundo Maílson; para ele, “o dólar vai pras alturas: 6, 7 reais”.
  • Conselho: o órgão proposto por Lara Resende, que fixaria diretrizes fiscais e monetárias, acabaria orientando na prática os orçamentos dos anos seguintes e interferiria nas atribuições do Congresso, o que ele considera institucionalmente inaceitável.
  • Precedente: Maílson lembrou a queda da Selic no governo Dilma Rousseff, quando, na avaliação dele, a pressão presidencial fez a inflação voltar e contribuiu para o impeachment.
  • Reservas: o Brasil tem cerca de US$ 350 bilhões em reservas internacionais, que, para ele, servem de proteção em crises e não deveriam ser usadas para testar uma ideia sem respaldo da comunidade acadêmica internacional.
  • Copom: ele defendeu que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% ao ano na reunião desta semana, para preservar a credibilidade diante das incertezas fiscais.

A proposta em debate

Segundo o Poder360, Lara Resende propõe, em artigo publicado em 25 de setembro, criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que defina metas de inflação e de juros para quatro a cinco anos e leve a Selic a 7,5% em 12 meses, com o Banco Central atuando no câmbio para evitar excesso de valorização do dólar; ele cita as reservas de US$ 350 bilhões como “munição”. A ideia ganhou o apoio do economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula (leia mais), e foi rejeitada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que disse que o tabelamento de juros não está na mesa (leia mais).

O que os dados mostram

A meta da Selic em vigor é de 13,75% ao ano, segundo a série do Banco Central consultada em 3 de novembro. Na mesma base, a cotação de venda do dólar foi de R$ 5,34 em 28/10, R$ 5,37 em 29/10 e R$ 5,42 em 30/10, último dia disponível; Maílson citou uma alta de pouco mais de R$ 5 para R$ 5,45 depois da eleição, valor que este portal não conseguiu conferir na série.

O que ainda não é decisão

A proposta de Lara Resende é uma ideia em debate, não uma decisão do governo nem do Banco Central, e o dólar de R$ 6 a R$ 7 é uma projeção de Maílson, não um dado. Não há, nas fontes lidas, manifestação do BC sobre o tema nem do presidente eleito.

Texto elaborado em 3 de novembro, às 3h20, com base no resumo da entrevista publicado pela Veja (lido na íntegra; o vídeo não foi assistido e o texto da Veja informa ser resumo feito com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana), na reportagem do Poder360 de 2/11 sobre a proposta (lida na íntegra) e em séries do Banco Central.

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