Congresso

Alcolumbre negocia anistia e cargos para tentar reeleição no Senado, diz coluna

Segundo a Coluna do Estadão, o presidente do Senado ventila anistia e indulto, mas esbarra no STF, no governo e no núcleo bolsonarista; Lula e a federação União-PP declaram apoio.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sorrindo e com o polegar para cima no Palácio da Alvorada.
Hugo Motta, Lula e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 26/8/2026. Foto de arquivo: Ricardo Stuckert/Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra as negociações atuais sobre o Senado. Origem da fotografia. Condição de uso.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tenta se reeleger no comando da Casa na votação de fevereiro, quando começa a nova legislatura, e passou a negociar com vários campos políticos, inclusive a oposição, segundo a Coluna do Estadão, publicada nesta segunda-feira (2). A coluna diz que ele acionou o “modo Lula” e chegou a negociar até o que, na avaliação dela, seria impossível.

O que Alcolumbre ofereceria

De acordo com a coluna, antes mesmo do fim do segundo turno ele passou a ventilar nos bastidores o compromisso de destravar a anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e abriu espaço para debater um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele argumenta com interlocutores que busca a pacificação para encerrar a tensão permanente entre Lula, os Bolsonaros e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A coluna também descreve negociações sobre a distribuição de espaços no Legislativo, dos gabinetes às relatorias e comissões, como as do Orçamento de 2027.

Os obstáculos apontados

  • Indulto. É prerrogativa exclusiva do Poder Executivo.
  • Anistia. Segundo a coluna, as propostas enfrentam forte resistência no STF e no governo; mesmo que avancem no Congresso, poderiam ser derrubadas depois.
  • Bolsonarismo. O núcleo mais fiel a Bolsonaro mantém restrições ao nome do senador e diz que ele não cumpriu acordos nos últimos quatro anos. Alcolumbre, segundo a coluna, ainda não conversou com a ala radical do PL e admite a interlocutores que não há articulação fechada.
  • Fuga de Flávio. A coluna avalia que a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país, seguida de uma carta de teor golpista, minou o avanço dessas pautas.

A única negociação considerada viável no momento, ainda de acordo com a coluna, é o julgamento, no STF, da lei da dosimetria, que reduz as penas aplicadas aos condenados do 8 de janeiro.

Os apoios declarados

Depois do segundo turno, Alcolumbre recebeu apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição e anunciou o respaldo da federação União-PP, com base na manifestação dos presidentes dos dois partidos, Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União). A coluna observa que, na prática, nenhum dos dois votará: Ciro não foi reeleito senador e Rueda é deputado.

O que falta saber

A eleição só ocorre em fevereiro. Em outra frente, o PL deve lançar o senador Rogério Marinho (RN) como candidato, o que será anunciado na quarta-feira (4), segundo reportagem já publicada aqui: veja PL deve lançar Marinho ao comando do Senado, apesar de acenos de Alcolumbre. As ofertas atribuídas a Alcolumbre vêm de relato da coluna sobre conversas de bastidor; o texto não traz declaração pública dele sobre anistia ou indulto.

Fonte: Coluna do Estadão (Roseann Kennedy, Eduardo Barretto e Leticia Fernandes), lida na íntegra em 2/11/2026, às 9h.

Últimas

Em perspectiva

Mais notícias