O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que vê uma “chantagem do mercado” no debate sobre ajuste fiscal no quarto mandato de Lula (PT) e que os cortes devem atingir privilégios, e não “o lombo dos mais pobres”. As declarações constam de entrevista publicada pela Folha de S.Paulo às 12h53 deste sábado (31).
O que ele disse
Segundo a reportagem, Boulos citou como caminhos para economizar a discussão de desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares impositivas. Ele diferenciou o equilíbrio fiscal, que diz ter marcado os governos Lula, de um ajuste que corte no SUS e na educação, o que atribuiu à proposta de Flávio Bolsonaro (PL) derrotada nas urnas.
Sobre a pressão de investidores, disse: “Você não pode contrapor uma chantagem de mercado à vontade popular.” Para o ministro, a vitória de Lula indica apoio popular a políticas públicas, e a governabilidade dependerá de mobilização nas redes e nas ruas.
Contexto
A reportagem lembra que a dívida pública passou de 71,7% do PIB, no fim de 2022, para 82,5% em julho de 2026. O mercado reagiu mal ao resultado: a Bolsa caiu 9,88% em outubro, o Itaú cortou a projeção de PIB de 2027 para 0,5% e a expectativa de IPCA para 2027 subiu a 5,3% em levantamento com gestores.
Sucessão e Flávio
Questionado sobre a sucessão de Lula, Boulos disse que discutir nomes agora “só serve à divisão interna” da esquerda e do governo e que o foco deve ser um “mandato biográfico” do presidente. Ele também criticou a saída de Flávio Bolsonaro do país e afirmou que o Brasil deve ficar atento a riscos de intervenção externa, citando o apoio de Donald Trump ao candidato do PL.
O que falta
Não há, até o momento, proposta fiscal formal do governo eleito. Boulos fala como ministro e integrante do núcleo político do governo, não como porta-voz da área econômica; a equipe da Fazenda ainda não foi definida. A entrevista não foi lida na íntegra além do trecho aberto da Folha, e o ministro não detalhou valores de corte.






















