Economia

Ajuste fiscal gera impasse no governo Lula, diz reportagem

Segundo a Folha, o presidente resiste a medidas mais duras e a equipe econômica discute um cardápio de ações; o governador do Piauí, cotado para a Fazenda, fala em cortar privilégios, não programas sociais.

Retrato de Dario Durigan, de terno cinza e gravata vinho, em corredor do Ministério da Fazenda
Dario Durigan, em foto de 2023, quando era secretário-executivo da Fazenda. Foto de arquivo: Diogo Zacarias — domínio público. A imagem não registra as reuniões desta semana. Origem da fotografia.

A extensão do ajuste fiscal depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu um impasse dentro do governo, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada na noite de quinta-feira (29). De acordo com o jornal, o presidente demonstra resistência a propor medidas mais robustas, que poderiam configurar o que o texto chama de estelionato eleitoral. As informações vêm de relatos de integrantes do governo ouvidos pelo jornal, e as medidas ainda estão em discussão.

O que a Folha relata

Os ministérios da Fazenda e do Planejamento trabalham em um cardápio de ações, de ajustes pontuais a medidas estruturais. Segundo a reportagem, perseguir o centro da meta fiscal é consenso na equipe; a divergência está no alcance das demais medidas e no que obteria o aval de Lula. O jornal cita ainda a possibilidade de ampliar o congelamento de verbas.

  • A primeira reunião sobre o tema ocorreu na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno, com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento). Lula teria avisado que não pretende endossar medidas que mexam no salário mínimo ou contrariem promessas de campanha.
  • Na quarta-feira (28), nova reunião entre ministros discutiu as prioridades até o fim do ano. Durigan teria defendido o ajuste como um dos itens, mas houve ponderações sobre a intensidade a ser proposta ao presidente.
  • Na quinta (29), Durigan e Moretti voltaram a se reunir com Lula, no Palácio da Alvorada.

Um integrante da equipe econômica afirmou à Folha que o presidente não cometerá estelionato eleitoral. A reportagem também registra que ministros da ala política já disseram que o ajuste não é prioridade e que Lula não foi eleito para fazer “tesouraço”.

Pouco tempo e pauta cheia

Segundo o jornal, o governo tem cerca de cinco semanas até o fim do ano legislativo e precisará escolher em quais frentes trabalhar. A Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento de 2027 continuam pendentes de votação, e Lula quer aprovar outras propostas, como a PEC da Segurança. A reportagem também aponta preocupação com a articulação no Congresso.

Fonteles: “equilíbrio fiscal”, sem cortar programas sociais

Em entrevista ao Estadão, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), um dos cotados para o Ministério da Fazenda no quarto mandato, afirmou que Lula fará equilíbrio fiscal com corte de privilégios e desperdícios, e não de programas sociais. Fonteles disse não usar a palavra “ajuste” e negou ter conversado com o presidente sobre cargo ou política econômica. Sobre medidas específicas, afirmou que não poderia entrar no debate.

O tamanho do esforço necessário foi tema de outra matéria deste portal: a IFI calculou um ajuste de cerca de 3 pontos do PIB depois das promessas da campanha.

O que falta saber

Nenhuma medida foi anunciada. Os relatos são de interlocutores sob reserva, sem confirmação oficial, e a reportagem da Folha é de acesso restrito a assinantes: este portal leu o trecho aberto e o texto disponível na página. Não há, até agora, posição pública da Fazenda sobre o que foi relatado.

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