As estatais federais registraram déficit primário de R$ 2 bilhões em setembro, o pior resultado, em valores nominais, para o mês desde o início da série histórica do Banco Central, em dezembro de 2001, segundo dados divulgados na quinta-feira (29) e relatados pela Folha de S.Paulo. A última vez que o grupo teve resultado positivo em setembro foi em 2021, com superávit de R$ 1,3 bilhão. Em setembro de 2025, o déficit havia sido de R$ 751 milhões.
O que pesa no resultado
A reportagem aponta a situação dos Correios como um dos fatores. No segundo trimestre, último dado divulgado, a empresa teve prejuízo de R$ 2,4 bilhões, 5,5% menor que as perdas de R$ 2,53 bilhões do mesmo período de 2025, uma melhora vista como sinal favorável. A empresa passa por reestruturação: o Ministério da Fazenda aprovou garantia do Tesouro ao novo empréstimo de R$ 7 bilhões que ela pediu no início de setembro, conforme a Folha. Este portal tratou do tema em matéria anterior sobre a garantia aos Correios.
O que o BC e o governo dizem
O chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou na apresentação dos dados fiscais que a instituição não tem base detalhada o bastante para separar, nas despesas das estatais, gasto corrente e investimento, o que pode fazer grande diferença na leitura do número. Membros do governo argumentam, segundo a Folha, que déficit não significa comprometimento da saúde financeira das empresas e que o mais importante é verificar se há lucro ou prejuízo. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não se manifestou até as 18h45 de quinta, de acordo com o jornal.
O alcance do dado
O governo federal tem 44 estatais, mas só parte delas entra na estatística do BC, que não considera o grupo Petrobras nem as instituições financeiras federais, como Banco do Brasil e Caixa. As estatais foram tema da campanha: Lula foi cobrado pelo rombo nos Correios, e Flávio Bolsonaro teve de responder a acusações de que privatizaria todas elas, inclusive o Banco do Brasil, segundo a Folha.
Limite de verificação
Os números acima vêm do relato da Folha sobre a divulgação do BC; a tabela oficial do banco não foi consultada diretamente por este portal.






















