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Cúpula do PL tenta fazer Flávio abandonar discurso de fraude, diz reportagem

Dirigentes temem novas declarações do senador, que deve dar entrevista coletiva nos EUA na próxima semana; Valdemar diz que a carta não foi aprovada pelo partido.

Retrato do senador Rogério Marinho (PL-RN), de terno azul e gravata estampada, diante de parede clara
Senador Rogério Marinho (PL-RN), em 5/4/2023. Foto de arquivo: Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a reunião ou as declarações atuais do PL. Origem da fotografia. Condição de uso.

A direção do PL tenta convencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a abandonar o discurso de fraude na eleição presidencial e teme que novas declarações dele, já nos Estados Unidos, aprofundem o desgaste do partido depois da derrota para Lula (PT), segundo reportagem de O Globo publicada às 4h30 desta sexta-feira (30). O jornal diz que Flávio deve dar uma entrevista coletiva nos EUA na próxima semana.

O que diz a reportagem

Segundo O Globo, a preocupação cresceu depois da divulgação da carta em que Flávio questionou, sem apresentar provas, o resultado das urnas. O texto não teve o aval da direção partidária e, de acordo com o jornal, expôs divergências sobre a estratégia da oposição. Integrantes do partido avaliam que a insistência em acusações de fraude sem provas pode dificultar alianças no Congresso, em especial nas negociações pelas presidências da Câmara e do Senado.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou a manifestação na quinta-feira (29), depois de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Segundo o jornal, ele disse que ninguém no partido aprova o que aconteceu, que a carta não foi aprovada pela legenda e que a direção quer se concentrar na reorganização da oposição e na atuação no Congresso. Valdemar também afirmou que a viagem surpreendeu o partido e a família Bolsonaro, e que nem o ex-presidente tinha sido avisado. O tema já foi tratado na matéria sobre a fala de Valdemar.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, também se afastou das acusações. Segundo O Globo, ele afirmou na quarta-feira (28) que o PL não pode sustentar a denúncia de fraude porque não há provas e disse que não foi consultado sobre o conteúdo da carta. Marinho, de acordo com o jornal, procurou preservar o papel de Flávio como uma das principais lideranças da direita. A fala de Marinho foi registrada em matéria anterior.

O que ainda não está claro

  • A reportagem não identifica quem, dentro do PL, tenta convencer Flávio nem informa data ou local da entrevista coletiva prevista; Os Poderes não encontrou, nas fontes lidas, confirmação do senador ou de seus advogados.
  • A carta foi divulgada na quarta-feira (28). Na primeira versão, segundo o jornal, Flávio se apresentava como o verdadeiro presidente eleito e dizia que a votação havia sido fraudada; o texto foi depois substituído por outro, em que se define como líder do Brasil, mas mantém os questionamentos ao resultado.
  • Lula venceu o segundo turno por mais de 4 milhões de votos. Os Poderes não encontrou, até esta leitura, prova de fraude apresentada por Flávio ou pelo PL.

O desenrolar do caso está na matéria principal.

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