EUA

Em 1ª fala após derrota, Trump liga guerra a perdas e fala em impeachment e veto

Em visita ao canteiro do salão de baile da Casa Branca, presidente diz que o conflito com o Irã pesou na eleição, mas que repetiria a ofensiva, e avisa que o poder de veto continua com ele.

Donald Trump, de costas, acena com a mão direita diante da fachada sul da Casa Branca, com microfones de jornalistas em primeiro plano e público nas sacadas.
Donald Trump acena diante da Casa Branca, em Washington, em 6 de outubro de 2026. Foto de arquivo: The White House — domínio público. A imagem não registra a conversa com jornalistas desta quarta-feira (4). Origem da fotografia.

Na primeira aparição pública depois das eleições de meio de mandato, nesta quarta-feira (4), o presidente Donald Trump disse que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota republicana, mas que faria tudo de novo. Também afirmou que um processo de impeachment “destruiria” o Partido Democrata e lembrou que tem poder de veto. Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado, segundo projeções de veículos de imprensa; o resultado não é oficial.

O que Trump disse

  • Guerra: perguntado sobre a avaliação do vice-presidente JD Vance de que o conflito levou à derrota, concordou que isso é “em grande parte verdade”, porque a guerra fez a gasolina subir no curto prazo. Disse, porém, que repetiria a decisão porque o Irã não pode ter arma nuclear.
  • Democratas: afirmou que “provavelmente vou me dar bem com os democratas”, a menos que queiram ser destrutivos, e lembrou que o governo tem poder de veto. Segundo ele, parlamentares democratas já ligaram para conversar.
  • Impeachment: disse que um processo de impeachment contra ele destruiria o Partido Democrata. A fala foi relatada por uma reportagem, e o Os Poderes não ouviu a gravação.
  • Cédula: repetiu que, se o nome dele estivesse na cédula, teria vencido.

Onde ele falou

Trump convocou a imprensa ao canteiro de obras do salão de baile da Casa Branca, no dia em que a última viga de aço foi instalada, para falar sobre o projeto. A reportagem relata que boa parte da conversa tratou de detalhes da obra e que o presidente só comentou a eleição quando foi questionado por jornalistas.

O que já se sabia

Na terça-feira (3), Trump disse que aceitaria o resultado e trabalharia com os democratas, e postou a imagem de um boné com a palavra “veto” (leia mais). Na madrugada, culpou o governador do Texas pela derrota no estado (leia mais), e Vance disse que a guerra foi a causa (leia mais).

O contexto da guerra

A guerra contra o Irã, iniciada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, elevou os preços de combustíveis, passagens aéreas e a inflação em geral. Fontes do Pentágono estimam o custo em até US$ 100 bilhões. Pesquisa Reuters/Ipsos feita na véspera da eleição mostrou que 48% dos eleitores apontavam o custo de vida como principal questão, e 55% diziam que a ação militar não valeu o custo, contra 25% que achavam que valeu. O ataque americano mais recente teria ocorrido na segunda-feira (2), contra a ilha iraniana de Qeshm, segundo informação atribuída a autoridades dos EUA.

O que vem agora

A nova Câmara pode abrir um processo de impeachment, mas a condenação exige 67 dos 100 votos do Senado (veja a conta). O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro. O petróleo caiu quase 9% com a expectativa de acordo no Irã (leia mais), e o balanço completo está no explicador das midterms.

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