O petróleo caiu quase 9% nesta quarta-feira (4) e voltou a ficar abaixo de US$ 100 por barril, com a expectativa de um acordo para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã. O Brent, referência internacional, fechou a US$ 94,62, queda de 8,7% e o menor valor em dois meses. Desde o fechamento da semana passada, a desvalorização acumulada supera 19%.
Os números do dia
- Brent: US$ 94,62 por barril, queda de 8,7%; acumulado superior a 19% desde a semana passada.
- WTI (referência americana): recuo de 8,3%, para cerca de US$ 88,12; na semana, a perda se aproxima de 15%.
- Títulos públicos: no Reino Unido, o rendimento dos papéis de dez anos caiu 0,13 ponto percentual, para 5,16%, a maior queda diária desde maio; na França, o recuo foi de 0,16 ponto, para 4,78%.
Por que o petróleo caiu
A avaliação de investidores é que a vitória democrata nas eleições legislativas de terça-feira (3) pode acelerar as negociações entre Washington e Teerã. Com o controle das duas Casas do Congresso, os democratas passam a ter mais instrumentos para fiscalizar a condução da guerra, como a liberação de recursos e a realização de investigações, embora o presidente mantenha o poder de determinar operações militares e aplicar sanções.
O vice-presidente JD Vance atribuiu a derrota republicana à insatisfação dos eleitores com a continuidade do conflito, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que sua maioria buscará, com republicanos, o fim da guerra. Declarações recentes de Donald Trump sobre o Irã têm tido tom mais conciliador, o que reduziu a percepção de que novos ataques sejam iminentes. Veja também o que Vance disse sobre a guerra e o que muda com o resultado das midterms.
O que a guerra fez com o mercado
O conflito interrompeu rotas marítimas e reduziu as exportações de petróleo do Golfo Pérsico, o que elevou os custos de energia em vários países. Com a perspectiva de entendimento, os investidores diminuíram as apostas em novas interrupções no fornecimento. A queda do barril pode aliviar a pressão sobre combustíveis, transporte e produtos industriais e, com isso, sobre a inflação, mas o efeito depende de quanto tempo o preço se mantiver baixo, do câmbio, dos impostos e da oferta em cada país.
O que falta
A queda ainda depende da evolução das negociações: não há acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, o Copom citou o petróleo e o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio entre os riscos para a inflação ao manter a Selic em 13,75% (leia a decisão), e o dólar fechou a R$ 5,45 no mesmo dia (leia mais). Os valores desta matéria vêm de uma única reportagem e não foram conferidos em dados de bolsa.






















