Os eleitores hispânicos ajudaram a eleger Donald Trump em 2024, e pesquisas recentes sugerem que parte desse apoio diminuiu no Texas às vésperas das eleições de meio de mandato. Levantamentos feitos desde o fim do verão indicam que a maioria dos hispânicos do estado desaprova o presidente e favorece os democratas por margem significativa, segundo reportagem da BBC News Brasil publicada no domingo (1º) a partir do Vale do Rio Grande, na fronteira com o México.
O que mudou desde 2024
Trump conquistou cerca de 55% dos votos hispânicos só no Texas em 2024, recorde para um candidato presidencial republicano, em parte pela promessa de conter as travessias ilegais da fronteira, que estão hoje no nível mais baixo em décadas. Agora, segundo a BBC, pesa a ação do serviço de imigração (ICE): o Texas respondeu por cerca de um terço de todas as prisões feitas pelo ICE no país em julho de 2026, mais do que qualquer outro estado, de acordo com dados do Deportation Data Project.
A reportagem traz relatos de moradores. Um padre local critica as detensões e deportações de vizinhos que considera pessoas boas; educadores contam que alunos precisam voltar à escola porque os pais estão sendo deportados; e o empresário mexicano-americano Mario Guerrero, que votou em Trump três vezes, planeja votar nos democratas, em parte por desconforto com a repressão. Guerrero diz conhecer um empresário que tinha 35 funcionários por dia e agora teria sorte se quatro a seis aparecessem para trabalhar. O prefeito republicano de McAllen, Javier Villalobos, prevê dificuldades para o partido, reconhece o papel do governo na segurança da fronteira e diz que o problema começa quando se deportam pessoas produtivas e que respeitam a lei.
O custo de vida e o voto independente
A economia e o custo de vida estão no topo das preocupações, segundo a BBC. Em uma festa local do abacate, um casal culpou “o presidente” pela alta dos preços. O consultor republicano Mike Madrid lembra que os latinos têm mais probabilidade do que qualquer outro grupo de se identificar como independentes, e não como republicanos ou democratas. O empresário Guerrero, por exemplo, diz não ser nem uma coisa nem outra.
O mapa do Texas
A crença de que os hispânicos migravam de forma permanente para os republicanos levou Trump a pressionar estados como o Texas a redesenhar antecipadamente seus distritos para o Congresso, segundo a BBC. O 15º distrito, redesenhado em 2025, ficou com maioria teórica de 18 pontos para os republicanos, mas as pesquisas atuais sugerem vantagem democrata de cinco ou seis pontos. O candidato democrata é Bobby Pulido, cantor de música tejana que ganhou dois Grammy Latinos e centrou a campanha na economia. No vizinho 28º distrito, hoje democrata, o republicano Tano Tijerina atribui a Trump o mérito de ter superado barreiras, mas reconhece que “os ventos contrários da política nacional são reais”.
O que isso muda no Senado
Segundo a BBC, uma pequena virada hispânica para os democratas poderia colocar em disputa a vaga do Texas no Senado, que o partido não ganha há mais de 30 anos. A pesquisa NYT/Siena põe James Talarico à frente de Ken Paxton por 50% a 43%, e o perfil do democrata está em Talarico, El-Sayed e Ossoff. O panorama geral da eleição está em Midterms de terça (3).
Limites da reportagem
O texto é uma reportagem de campo, com relatos individuais; as pesquisas que ele cita sobre os hispânicos do Texas não são identificadas. Os números são os informados pela BBC e não foram conferidos nas fontes originais.






















