O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou sua votação em todas as faixas de renda entre o primeiro e o segundo turno, com o maior avanço entre eleitores de renda intermediária, segundo cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Censo 2022, do IBGE, divulgado neste domingo (8). O ganho de Lula foi de 4,8 a 7,2 pontos percentuais dos votos válidos, conforme a faixa, e a maior alta ocorreu na classe média baixa.
O que os números mostram
A análise cruza os resultados de quase 500 mil seções eleitorais com a renda dos setores censitários onde elas ficam. Lula venceu o segundo turno com 51,8% dos votos válidos (64,3 milhões de votos), contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). Em geral, quanto menor a renda da região, maior foi a votação do petista.
- Áreas de renda até R$ 1.780: Lula passou de 69,4% para 74,2% dos votos válidos.
- Áreas de renda acima de R$ 7.130: de 37,6% para 44,3%.
- Faixa de R$ 2.590 a R$ 2.920: de 44,4% para 51,6%. Foi onde a disputa virou: no primeiro turno Flávio liderava e, no segundo, Lula assumiu a frente. Nessa faixa, que reúne 9,4% do eleitorado (cerca de 14,7 milhões de pessoas), Lula avançou 7,2 pontos e Flávio passou de 47,6% para 48,4%.
Com isso, Flávio passou a superar Lula apenas em áreas de renda mais alta: a fronteira, que no primeiro turno estava em R$ 2.590, subiu para R$ 2.920. A partir de R$ 2.590, o ganho de Lula ficou acima de 6,5 pontos em todas as faixas. Nas áreas mais ricas, onde outros candidatos tiveram cerca de 10% no primeiro turno, Lula cresceu 6,7 pontos e Flávio, 3,3.
Diferenças entre os estados
O ponto de virada varia pelo país. Em oito dos nove estados nordestinos, Lula liderou em todas as faixas de renda; na Bahia, por exemplo, teve 60,7% mesmo nas áreas acima de R$ 7.130, e, em Pernambuco, 57,4%. Alagoas é a exceção: o petista perdeu apenas nas áreas mais ricas. No Sul e no Centro-Oeste, o quadro é outro: em Goiás, no Paraná e em Santa Catarina, Lula liderou só na faixa mais baixa, e em Santa Catarina o voto nele cai de 72,2% para 38% na faixa seguinte. Em Mato Grosso, a queda é a mais acentuada do país, de 76,8% nas áreas mais pobres para 25,2% nas mais ricas.
O Rio de Janeiro foi o único estado com relação invertida: Lula perdeu em todas as faixas até R$ 7.130 e liderou apenas nas áreas de maior renda. Em Acre, Rondônia e Distrito Federal, não liderou em nenhuma faixa; em Roraima, só na de até R$ 1.780, com 50,6%.
Limites da análise
O levantamento mostra como votaram os bairros, e não cada eleitor: no mesmo local votam vizinhos com rendas e opiniões diferentes, e o eleitor vota onde tem o título, que nem sempre é onde mora. A renda vem do Censo de 2022, quatro anos antes da eleição. Os números não foram recalculados de forma independente pelo OsPoderes. O cenário político depois do pleito aparece em Lula tem 48% de aprovação na primeira pesquisa pós-eleição, e o que o governo estuda para as contas públicas, em ajuste fiscal de Lula: o que está em estudo e o que o governo descarta.





















