Brasil

Nos EUA, Flávio se diz ‘verdadeiro presidente eleito’ e alega fraude sem provas

Em carta divulgada por aliado, senador agradece a Milei e a Trump e diz que não fugiu; o TSE declarou Lula vencedor com 51,79% dos votos.

Montagem com retrato do senador Flávio Bolsonaro, à esquerda, e do presidente argentino Javier Milei, à direita.
Montagem com Flávio Bolsonaro e Javier Milei. Fotos de arquivo: Flávio, Carlos Moura/Agência Senado (CC BY-SA 4.0, 2026); Milei, Elekes Andor (CC BY 4.0, 2026). As imagens não registram a divulgação da carta. Origem da foto de Flávio. Origem da foto de Milei. Condição de uso (Flávio). Condição de uso (Milei).

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se declara “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. É a primeira manifestação dele desde que chegou aos Estados Unidos, segundo o Estadão e o Poder360. O texto agradece ao presidente argentino, Javier Milei, e ao presidente americano, Donald Trump, por acolhê-lo.

O TSE declarou Lula vencedor da eleição de 25 de outubro, com 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio, segundo o Poder360.

O que diz a carta

Segundo o Poder360, Flávio afirma que não fugiu do Brasil, mas saiu “de um regime de exceção” para poder liderar a oposição. O Estadão relata que ele classifica o resultado como “fraude eleitoral”, sem apresentar provas, e compara-se a líderes históricos exilados. O senador também chama de ilegal a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação de 17h para 19h por problemas de transporte e chuvas, e diz que ela deu a Lula mais de 10 milhões de votos entre os dois turnos.

O que os números mostram

O Estadão lembra que Lula venceu com 4,4 milhões de votos de vantagem. O jornal cita ainda levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, segundo o qual houve 34,7 mil votos após as 17h no segundo turno, menos que os cerca de 40 mil de 2022, quando não houve prorrogação. O Poder360 acrescenta que a campanha de Flávio também pediu a extensão do horário, embora a decisão tenha respondido a pedido do PT.

Como a carta chegou

O documento foi distribuído pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos EUA. Duas versões circularam: a primeira trazia um brasão escrito “Estados Unidos do Brazil”, com grafia em inglês; cerca de 15 minutos depois saiu outra, com o brasão atualizado, segundo o Estadão.

O contexto

Flávio deixou o país um dia depois de ser intimado pela PF a entregar os passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que também o proibira de sair do território. A autenticidade da carta não foi confirmada pelo próprio senador em canal oficial nas reportagens lidas.

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