EUA

Democratas preparam investigações sobre negócios da família Trump

Com a maioria na Câmara e no Senado, o partido monta uma lista de alvos que inclui empresas ligadas ao presidente, o avião do Catar e a guerra com o Irã; a Casa Branca nega irregularidades.

Fachada leste do Capitólio dos Estados Unidos, com a cúpula e a bandeira americana, sob céu azul
Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, em 17/10/2025 (recorte). Foto de arquivo: VRgamer3.14 — CC0. A imagem não registra as investigações em preparo pelos democratas. Origem da fotografia. Condição de uso.

Os democratas, que conquistaram o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, já discutem uma lista de investigações sobre o governo de Donald Trump. Segundo apuração, a intenção é usar o poder de intimação do Congresso para examinar, em primeiro lugar, os negócios da família do presidente e de aliados e doadores do Partido Republicano.

O que os democratas pretendem investigar

  • Negócios e governo: vínculos entre a administração e empresas, em especial as de criptomoedas; negócios internacionais do genro do presidente, Jared Kushner; e contratos de defesa com empresas ligadas à família Trump.
  • Avião do Catar: a aeronave de US$ 400 milhões (mais de R$ 2,1 bilhões) oferecida pelo país árabe para integrar a frota do Air Force One.
  • Medicamentos: o senador democrata Ron Wyden, que deve comandar o Comitê de Finanças do Senado, quer examinar os acordos entre o governo e farmacêuticas sobre preços de remédios.
  • Defesa e guerra: parlamentares prometem investigar a atuação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, na guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, incluindo vítimas civis, gastos, escassez de munições e instalações mal preparadas, além dos ataques a barcos no Caribe que, segundo o governo, transportariam drogas.
  • Imigração: democratas de alto escalão, como Robert Garcia, indicado para presidir o Comitê de Supervisão da Câmara, veem as ações do governo na área como alvo prioritário.

Logo após a eleição, Garcia, Wyden e a deputada Delia Ramirez publicaram mensagens em tom de aviso a integrantes do governo, como “contratem advogados”, “intimações” e “preparem suas agendas”. De acordo com entrevistas com cerca de uma dúzia de advogados, parlamentares, assessores e consultores políticos, os filhos de Trump e outros doadores, além do empresário Elon Musk, devem estar entre os alvos. Representantes de Musk e de Eric Trump não responderam, e o de Donald Trump Jr. recusou-se a comentar.

Os democratas, segundo a mesma apuração, optaram por investigar em vez de tentar um impeachment imediato; o OsPoderes explicou como funciona um processo de impeachment nos EUA. O novo Congresso toma posse em janeiro, e é a partir daí que o partido passa a presidir os comitês e a emitir intimações.

Resposta da Casa Branca e riscos políticos

A Casa Branca nega irregularidades e classifica as investigações previstas como “farsescas”. Um integrante do governo, sem se identificar, lembrou que os republicanos ainda controlam o governo federal. O OsPoderes já mostrou que o governo nega a demissão de Rubio e Hegseth após a derrota republicana.

Analistas ouvidos afirmam que o partido terá de equilibrar a exposição do que chama de corrupção com as preocupações dos eleitores com preços e combustíveis. Em pesquisa Reuters/Ipsos feita no fim de outubro e início de novembro, 48% dos eleitores registrados apontaram o custo de vida como a principal questão do voto; em levantamento da mesma parceria em agosto, 69% dos americanos disseram acreditar que os interesses comerciais privados de Trump influenciavam suas decisões. O consultor republicano Ron Bonjean avalia que os democratas correm o risco de “exagerar na dose”, e advogados alertam que será preciso evitar longas disputas judiciais com a Casa Branca. O cenário também alimenta a corrida de 2028, como o OsPoderes mostrou em pistas para a sucessão de Trump.

Até agora há listas, declarações e planos de parlamentares: nenhuma investigação foi formalmente aberta, e as acusações de irregularidade são negadas pela Casa Branca.

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