Os democratas, que conquistaram o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, já discutem uma lista de investigações sobre o governo de Donald Trump. Segundo apuração, a intenção é usar o poder de intimação do Congresso para examinar, em primeiro lugar, os negócios da família do presidente e de aliados e doadores do Partido Republicano.
O que os democratas pretendem investigar
- Negócios e governo: vínculos entre a administração e empresas, em especial as de criptomoedas; negócios internacionais do genro do presidente, Jared Kushner; e contratos de defesa com empresas ligadas à família Trump.
- Avião do Catar: a aeronave de US$ 400 milhões (mais de R$ 2,1 bilhões) oferecida pelo país árabe para integrar a frota do Air Force One.
- Medicamentos: o senador democrata Ron Wyden, que deve comandar o Comitê de Finanças do Senado, quer examinar os acordos entre o governo e farmacêuticas sobre preços de remédios.
- Defesa e guerra: parlamentares prometem investigar a atuação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, na guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, incluindo vítimas civis, gastos, escassez de munições e instalações mal preparadas, além dos ataques a barcos no Caribe que, segundo o governo, transportariam drogas.
- Imigração: democratas de alto escalão, como Robert Garcia, indicado para presidir o Comitê de Supervisão da Câmara, veem as ações do governo na área como alvo prioritário.
Logo após a eleição, Garcia, Wyden e a deputada Delia Ramirez publicaram mensagens em tom de aviso a integrantes do governo, como “contratem advogados”, “intimações” e “preparem suas agendas”. De acordo com entrevistas com cerca de uma dúzia de advogados, parlamentares, assessores e consultores políticos, os filhos de Trump e outros doadores, além do empresário Elon Musk, devem estar entre os alvos. Representantes de Musk e de Eric Trump não responderam, e o de Donald Trump Jr. recusou-se a comentar.
Os democratas, segundo a mesma apuração, optaram por investigar em vez de tentar um impeachment imediato; o OsPoderes explicou como funciona um processo de impeachment nos EUA. O novo Congresso toma posse em janeiro, e é a partir daí que o partido passa a presidir os comitês e a emitir intimações.
Resposta da Casa Branca e riscos políticos
A Casa Branca nega irregularidades e classifica as investigações previstas como “farsescas”. Um integrante do governo, sem se identificar, lembrou que os republicanos ainda controlam o governo federal. O OsPoderes já mostrou que o governo nega a demissão de Rubio e Hegseth após a derrota republicana.
Analistas ouvidos afirmam que o partido terá de equilibrar a exposição do que chama de corrupção com as preocupações dos eleitores com preços e combustíveis. Em pesquisa Reuters/Ipsos feita no fim de outubro e início de novembro, 48% dos eleitores registrados apontaram o custo de vida como a principal questão do voto; em levantamento da mesma parceria em agosto, 69% dos americanos disseram acreditar que os interesses comerciais privados de Trump influenciavam suas decisões. O consultor republicano Ron Bonjean avalia que os democratas correm o risco de “exagerar na dose”, e advogados alertam que será preciso evitar longas disputas judiciais com a Casa Branca. O cenário também alimenta a corrida de 2028, como o OsPoderes mostrou em pistas para a sucessão de Trump.
Até agora há listas, declarações e planos de parlamentares: nenhuma investigação foi formalmente aberta, e as acusações de irregularidade são negadas pela Casa Branca.





















