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Polícia pede prisão preventiva de Milton Leite e indicia 12 por elo com o PCC

Relatório da Polícia Civil de São Paulo diz que 12 das 22 empresas de ônibus da capital estariam sob controle direto ou influência indireta da facção; o ex-presidente da Câmara Municipal nega as acusações.

Ônibus vermelho e cinza da Transwolff, com o brasão da Prefeitura de São Paulo, parado em ponto final na zona sul da capital paulista
Ônibus da Transwolff, na linha 7005-51, zona sul de São Paulo, em 19/12/2019. Foto de arquivo: Francisco Leandro Evangelista da Silva — CC BY-SA 4.0. A imagem não mostra Milton Leite nem registra o indiciamento. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite por organização criminosa e pediu a conversão de sua prisão temporária em preventiva, ao concluir o inquérito da Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital. O indiciamento foi divulgado neste sábado (7). Leite está preso desde 18 de setembro e nega as acusações.

Indiciamento é a conclusão da investigação policial: não é denúncia nem condenação. Cabe ao Ministério Público de São Paulo decidir se denuncia os investigados e à Justiça, se os torna réus.

O que diz o relatório

O relatório final, de 104 páginas, afirma que 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da cidade estariam sob controle direto ou influência indireta da facção. O documento classifica a situação como “assombrosa”, mas correta.

Sobre Milton Leite, a polícia sustenta que ele teria atuado na administração de empresas ligadas ao PCC e seria o proprietário de fato da Transwolff, apontada como central no esquema. Segundo o relatório, a atuação do ex-vereador “ultrapassava os limites do mandato” e beneficiava as empresas controladas ou influenciadas pela facção. A apuração se apoia na análise de celulares e de conversas atribuídas a integrantes da organização, em mensagens que, para os investigadores, mostram a influência dele sobre dirigentes da empresa, e em declarações de policiais militares prestadas ao Tribunal de Justiça Militar.

Por que a polícia quer a preventiva

Para pedir a prisão preventiva, o delegado afirma que Leite demorou dias para se entregar depois da ordem da Justiça e, nesse intervalo, teria ocultado e destruído provas. O relatório cita ainda o alto poder econômico e a influência política do ex-vereador, e diz que ele manteve, na prisão, contato com pessoas alheias à investigação.

Esse último ponto se liga às suspeitas de regalias na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde Leite estava preso. Depois de uma denúncia ao Ministério Público, o Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão e foram afastados funcionários da unidade. Leite foi transferido, em 20 de outubro, para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos.

Quem mais foi indiciado

O número de indiciados varia conforme o relato: parte das reportagens fala em Leite e outras 12 pessoas (13 no total); outra fala em 16. Todos respondem por associação ou organização criminosa. Entre os políticos citados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande (SP).

Defesa e próximos passos

Em depoimento, Leite negou as acusações e afirmou ser inocente. A defesa disse que não vai se posicionar neste momento; até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública sobre o relatório. Em 25 de setembro, o ministro Rogerio Schietti Cruz, do STJ, negou liminarmente um pedido da defesa para revogar a prisão temporária.

O Ministério Público deve analisar os pedidos de prisão preventiva no início da próxima semana e também decidirá se apresenta denúncia. A foto desta matéria é de arquivo e mostra um ônibus da Transwolff; ela não retrata o indiciamento.

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