Congresso

PL revê plano para a Câmara; Sóstenes desiste e Motta soma 361 apoios

Depois da derrota de Flávio Bolsonaro, o partido avalia candidatura própria ou apoio à reeleição do presidente da Câmara; a bancada se reúne em 11 de novembro, em Brasília, para decidir.

Montagem com retratos de Hugo Motta, presidente da Câmara, à esquerda, e do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL, discursando, à direita
Montagem do OsPoderes com fotos de arquivo: Hugo Motta (2024, Gilclécio Lucena, CC BY 4.0) e Sóstenes Cavalcante (2022, Câmara dos Deputados, CC BY 3.0). As imagens não registram a reunião da bancada do PL. Origem da foto de Motta. Origem da foto de Sóstenes.

O PL reorganiza a estratégia para a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado depois da derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. Na Câmara, o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que desde 2025 manifestava interesse em enfrentar Hugo Motta (Republicanos-PB), perdeu o interesse em encabeçar a candidatura, segundo a apuração. O partido avalia dois caminhos: lançar um nome próprio ou apoiar a reeleição de Motta, que já reúne 361 deputados, 104 votos acima dos 257 necessários. A decisão só deve sair depois da reunião da bancada, marcada para 11 de novembro, em Brasília.

Por que o PL precisa do Centrão

Apesar de ter as maiores bancadas nas duas Casas, o PL não reúne sozinho os votos para aprovar, por exemplo, pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, uma das principais pautas do partido. Por isso depende de legendas como Republicanos, PP, União Brasil e Podemos, que se aproximaram do PL depois da vitória de Flávio no primeiro turno e agora recalculam alianças com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), saíram fortalecidos da eleição, e Motta passou a receber apoios para a recondução.

As alegações de fraude feitas por Flávio, sem apresentação de provas, também provocaram reação no Centrão: União Brasil, MDB e PSDB reconheceram a legitimidade das eleições, e o PDT criticou a saída do senador do Brasil. Em nota, o União Brasil, presidido por Antonio Rueda, chamou a democracia de valor “inegociável” e defendeu o respeito ao resultado das urnas.

O que dizem os envolvidos

  • União Brasil: um integrante da cúpula negou, na sexta (6), que as divergências sobre as presidências das duas Casas signifiquem rompimento com o PL. O partido mantém apoio às reeleições de Motta e de Alcolumbre, considera legítima a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) ao Senado e diz que respeitará a decisão do PL sobre a Câmara.
  • Resistência interna: na terça (3), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que prefere abrir mão da presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a apoiar Motta. Para ele e outros integrantes do partido, apoiar o presidente da Câmara seria contraditório depois da aproximação com Lula e da inclusão de propostas de interesse do governo na pauta; há ainda queixa sobre acordos que, segundo congressistas do PL, não foram cumpridos.
  • Oposição: na quinta (5), o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) disse que a oposição manterá a estratégia e defenderá candidaturas próprias.
  • Comissões: Sóstenes afirmou que o PL reivindicará o comando de sete comissões, com base na proporcionalidade partidária; entre as de interesse estão a CCJ e a Comissão Mista de Orçamento (CMO). O Regimento Interno da Câmara não garante automaticamente as presidências às maiores bancadas.

O que falta saber

Falta a decisão da bancada do PL, que ouvirá os deputados eleitos em 11 de novembro, e a definição de quem concorrerá com Motta, se alguém. No Senado, a disputa entre Alcolumbre e Marinho segue em aberto; veja a matéria sobre a candidatura de Marinho e a reportagem anterior sobre o apoio do PL a Motta.

Informações até a tarde de sábado (7). A montagem usa fotos de arquivo e não registra a reunião do PL.

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