Economia

Governo planeja 113 leilões e mais de R$ 470 bi até 2030, diz levantamento

Carteira de rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e transmissão de energia soma ao menos 113 leilões de 2027 a 2030; juros e a política fiscal pesarão na captação das empresas, diz especialista.

Locomotiva de trem de carga avançando sobre trilhos cercados de capim, com céu azul ao fundo, na ferrovia Teresina–Fortaleza
Trem de carga na ferrovia Teresina–Fortaleza, perto de Altos (PI), em 2019. Foto de arquivo: Moacir Ximenes — domínio público. A imagem não registra os leilões previstos. Origem da fotografia.

O governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva planeja realizar ao menos 113 leilões nos setores de infraestrutura, energia e transportes entre 2027 e 2030, com investimentos previstos que ultrapassam R$ 474 bilhões. Os números resultam de um levantamento feito a partir das carteiras e dos cronogramas anunciados pelos Ministérios dos Transportes, de Portos e Aeroportos e de Minas e Energia, e não de uma lista única divulgada pelo governo.

O que cada ministério prevê

  • Transportes: a pasta chefiada por George Santoro divulgou carteira com 36 leilões de rodovias e 18 de ferrovias. Para 2027, a meta é atrair R$ 102,68 bilhões com 11 leilões rodoviários e R$ 160 bilhões para a malha ferroviária, por chamamentos públicos ou concessões.
  • Portos e Aeroportos: a carteira da pasta, comandada por Tomé Franca, projeta até R$ 161,5 bilhões em terminais portuários, aeroportos e hidrovias no ciclo 2027–2030, somando obras públicas, concessões, autorizações, linhas de crédito e financiamentos. Para os portos, são 34 leilões (R$ 20,6 bilhões) e 70 autorizações (R$ 33 bilhões). Nas hidrovias, a meta é fazer até seis concessões em 2027, que seriam as primeiras do setor.
  • Minas e Energia: o cronograma inclui sete leilões de transmissão de 2027 a 2029, três deles no próximo ano, com investimentos estimados em R$ 50 bilhões pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Há ainda 11 leilões de potência elétrica (reserva de capacidade) no período, três com possibilidade de uso de baterias, sem estimativa de investimento divulgada; os preços-teto serão definidos depois.

Os valores somam modalidades diferentes, e nem todo o investimento previsto passa por leilão: a carteira de Portos e Aeroportos, por exemplo, inclui obras públicas e financiamentos.

Juros e política fiscal

Para Marcos Ganut, chefe de infraestrutura da consultoria Alvarez & Marsal, a taxa de juros e o cenário macroeconômico devem pesar nas decisões de investimento nos próximos quatro anos, porque influenciam a capacidade de captação das empresas que disputam os projetos. Ele afirma haver “um pouco de ansiedade” no setor sobre o rumo que o governo dará à questão fiscal e defende que a infraestrutura não sofra mudanças de rota substanciais na transição de governo.

O setor rodoviário é considerado o mais maduro, com quatro ou cinco empresas bem estabelecidas; a dúvida, segundo especialistas, é quanto elas conseguem absorver de novos ativos se outros concorrentes não ampliarem a participação. Ferrovias e hidrovias, em que o governo tenta avançar, enfrentam obstáculos ambientais, sociais, financeiros e logísticos.

O que ainda não está definido

Lula começa o novo mandato em janeiro com trocas relevantes no comando das pastas responsáveis pelos projetos, e os cronogramas podem mudar. O OsPoderes não localizou, até a publicação, uma lista oficial consolidada dos 113 leilões nem os editais; as datas e os valores são os anunciados pelos ministérios e podem ser revistos.

A foto é de arquivo e mostra um trem de carga no Piauí, em 2019; não registra os leilões previstos.

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