O Ueno Bank, o banco digital paraguaio no centro da crise que derrubou o presidente Santiago Peña, foi um dos patrocinadores de um evento da direita e da extrema-direita realizado em fevereiro de 2026 em Mar-a-Lago, o clube do presidente americano Donald Trump em Palm Beach, na Flórida. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participou como palestrante. O patrocínio foi apontado em levantamento de um site argentino de checagem, citado por veículos brasileiros desde a quinta-feira (5), e voltou à pauta neste sábado (7), em reportagem que o confirmou.
O que se sabe sobre o evento
- Nome e data: o “Hispanic Prosperity Gala” reuniu políticos alinhados a Trump. Segundo o site do evento, entre os palestrantes estavam a ex-candidata peruana Keiko Fujimori, Robert F. Kennedy Jr. e o jogador Ronaldinho Gaúcho; o presidente argentino, Javier Milei, participou por vídeo.
- Patrocínio: o Ueno Bank figurava na categoria Diamond, de US$ 100 mil, segundo um site paraguaio. As publicações em que os organizadores anunciavam o patrocínio e a lista de patrocinadores no site oficial já não estão disponíveis, mas ainda há registros no Instagram e no Facebook.
- Premiado: o evento premiou o argentino Fernando Cerimedo, que mantém o portal “La Derecha Diario”, um dos organizadores. Em 2022, Cerimedo fez uma transmissão com informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras; em 2024, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito da tentativa de golpe, mas não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República.
O que não está estabelecido
Patrocinar um evento não é, por si só, irregularidade. A reportagem não aponta ato ilegal de Eduardo Bolsonaro nem relação entre o patrocínio e o colapso do banco, e nas informações apuradas até agora não há manifestação pública dele nem do Ueno sobre o assunto. O OsPoderes também não localizou o documento original do patrocínio, apenas registros em redes sociais citados pela reportagem.
O contexto da crise
O Ueno fechou as portas na terça (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou sua liquidação por déficit nos índices de solvência. O banco tinha cerca de 2,9 milhões de clientes num país de cerca de 6,4 milhões de habitantes. Peña, que foi acionista da holding ligada ao banco até março de 2025, perdeu o mandato por impeachment na sexta (6), foi preso e é investigado pelo Ministério Público paraguaio. Veja a cobertura completa da crise do Ueno.






















