O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não definiu o ministro da Fazenda do quarto mandato, e nenhum interlocutor do presidente confirma que ele tenha citado o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para a pasta, segundo reportagem publicada neste sábado (7). Fonteles, de 41 anos, foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos e, de acordo com a mesma reportagem, disse que nunca tratou do assunto com Lula. O que circula em Brasília, afirma o texto, é uma lista de nomes que o presidente ouve, sem decisão tomada.
Quem circula para a Fazenda
- Rafael Fonteles (PT): matemático, mestre pelo Impa e ex-secretário da Fazenda do Piauí. O atual ministro, Dario Durigan, disse que ele é “um excelente nome” e que a equipe ainda não foi tratada.
- Geraldo Alckmin (PSB): vice-presidente reeleito, de 73 anos, visto como nome que agradaria ao mercado.
- Bruno Moretti: ministro do Planejamento desde abril, economista de carreira da pasta e hoje descrito como um dos prediletos de Lula. Segundo a reportagem, foi ele quem convenceu o presidente de que seria possível reajustar o Bolsa Família, zerar dívidas de MEIs e oferecer ônibus gratuito nos fins de semana; em 20 de outubro, Moretti afirmou que as medidas exigem só R$ 20 bilhões em remanejamento e não ameaçam a meta de superávit de 2027.
- Dario Durigan: secretário-executivo de Fernando Haddad, assumiu a Fazenda em março, quando Haddad saiu para disputar o governo de São Paulo.
- Luiz Carlos Trabuco Cappi: presidente do Conselho de Administração do Bradesco, de 75 anos, voltou a ser citado. Recusou convite de Dilma Rousseff para a Fazenda em 2015 e indicou Joaquim Levy.
Para a Casa Civil, os nomes que circulam são o do senador Camilo Santana (PT-CE) e o de Haddad, que também é cotado para a Educação. São especulações: nenhuma indicação foi anunciada pelo Planalto.
Resistência dentro do PT
Segundo coluna publicada neste sábado, aliados de Lula temem o chamado “efeito Waldir Pires” caso Fonteles deixe o governo do Piauí para assumir a Fazenda. Dirigentes petistas lembraram que o ex-governador da Bahia saiu do cargo antes do fim do mandato para ser vice na chapa de Ulysses Guimarães em 1989, foi criticado por isso e a chapa terminou em sétimo lugar, com 4,73% dos votos. No Planalto, de acordo com a coluna, há ainda a preocupação de que a escolha o tornaria um ministro “indemissível”. Em coluna de opinião publicada na sexta (6), a jornalista Adriana Fernandes avalia que Lula, até agora, apenas assiste à “bolsa de apostas” e repete o roteiro de 2022 na escolha para a pasta.
O que vem pela frente
- Calendário: Lula só deve começar a definir a equipe depois de voltar das viagens à Turquia e às Filipinas, em 16 de novembro. A intenção, segundo a reportagem, é fechar a nova Esplanada até 20 de dezembro.
- Reunião de quinta (5): Moretti esteve com Lula em encontro com Aloizio Mercadante, Guido Mantega e outros economistas, de que também participaram Alckmin, Haddad e Durigan.
- Perfil da composição: não há sinal de que o presidente pretenda preencher ministérios com nomes da sociedade civil; a tendência apontada é acomodar aliados derrotados nas urnas e ampliar o espaço do Centrão.
Veja também a matéria sobre o plano de 40 ministérios e a de Kassab sobre a dupla econômica.
Montagem do OsPoderes com fotos de arquivo de Rafael Fonteles e de Geraldo Alckmin; as imagens não registram as discussões sobre o ministério.






















