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Anac notifica operadores de jatos ligados a Vorcaro que teriam levado Moraes

Despacho de 28 de outubro diz que os dois aviões não podiam fazer transporte remunerado de passageiros; a agência afirma não poder comprovar que o ministro viajou no PS-FSW. Moraes não se manifestou.

O ministro do STF Alexandre de Moraes, de terno escuro e gravata azul, sorri sentado no plenário da Câmara dos Deputados
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, no plenário da Câmara, em 3/2/2025. Foto de arquivo: Saulo Cruz/Agência Senado — CC BY 2.0. A imagem não registra a decisão atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) notificou os operadores de dois aviões privados ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para esclarecer possíveis irregularidades no transporte de passageiros. As duas aeronaves teriam sido usadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em viagens de agosto e outubro de 2025. O despacho é de 28 de outubro de 2026 e veio a público nesta sexta-feira (6), segundo a reportagem lida pelo OsPoderes. Procurado pela reportagem, Moraes não se manifestou.

O que diz o despacho

O documento, assinado pelo superintendente de Operações da Aviação Geral da Anac, Edvaldo Rodrigues de Oliveira, trata dos aviões de matrículas PS-FSW e PP-BIO. Nenhum dos dois tinha autorização para fazer transporte remunerado de passageiros, o chamado táxi aéreo. Por isso, a superintendência enviou ofício aos operadores para questionar, entre outros pontos, a natureza dos voos feitos no período investigado por parlamentares.

A Anac diz que aguarda as respostas para avaliar se houve irregularidade. A agência também faz uma ressalva: as informações disponíveis não permitem comprovar que o ministro tenha viajado no PS-FSW. Segundo o despacho, a Anac não dispõe de informações individualizadas sobre todos os voos de aeronaves civis nem mantém registros ordinários das circunstâncias operacionais de cada um.

Os voos citados

  • 7 de agosto de 2025: segundo reportagem anterior, citada no despacho, os nomes de Moraes e da mulher foram registrados às 19h no terminal de aviação executiva do Aeroporto de Brasília. Dezesseis minutos depois, o PS-FSW, um Falcon 2000 da empresa FSW SPE, decolou para Congonhas, em São Paulo. Entre os sócios da empresa está Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O voo ocorreu na véspera de uma reunião do ministro com o banqueiro.
  • 16 de outubro de 2025: o casal aparece de novo nos registros do terminal de Brasília. Às 19h26, o PP-BIO, operado por empresa ligada a Vorcaro, decolou para o Aeroporto Catarina, em São Paulo.
  • 22 de agosto de 2025: um vídeo mostra o casal desembarcando de um jato Legacy 650 (PP-NLR) no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. A aeronave pertencia formalmente a empresa ligada a Vorcaro. Esse voo não é alvo da análise da Anac.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicam, ainda segundo a reportagem, que ele havia autorizado o casal a usar aviões e helicópteros administrados pela PrimeYou.

O que Moraes já disse

Em abril, Moraes negou em nota ter viajado em aeronaves de Vorcaro. Em ofício de 44 páginas enviado em 14 de setembro ao presidente do STF, Edson Fachin, ele chamou de “farsa” o relatório da PF sobre mensagens atribuídas a ele no celular do banqueiro e afirmou que não existe diálogo entre os dois. O OsPoderes acompanha o tema em levantamento sobre as interações no celular de Vorcaro e no prazo de 15 dias dado por Fachin à PGR.

O que falta saber

A notificação da Anac é um pedido de esclarecimentos, não uma conclusão de irregularidade. Ainda não se conhecem as respostas dos operadores nem há decisão da agência. As informações sobre os voos e sobre o uso por Moraes vêm de reportagens e do despacho citado por elas; o OsPoderes não teve acesso independente ao documento nem aos registros do terminal.

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