O governo brasileiro acompanha com cautela a crise política no Paraguai e evita manifestações oficiais, por entender que se trata de assunto interno do país vizinho. A avaliação foi relatada por fontes da diplomacia ouvidas sob reserva, e não por posição pública do Itamaraty.
O que dizem as fontes
- Preocupação e cautela: integrantes do Itamaraty veem com preocupação o cenário de incerteza e monitoram os desdobramentos, mas o governo não deve se manifestar oficialmente enquanto a crise correr dentro das regras paraguaias.
- Direita fragilizada: as fontes apontam fragilidade da direita paraguaia e levantam dúvidas sobre o papel que Argentina e Estados Unidos, próximos de Santiago Peña, podem ter daqui em diante.
- Contexto regional: diplomatas situam a crise num momento de arrefecimento da onda de extrema direita na região, com a derrota de Donald Trump nas eleições legislativas americanas.
- Itaipu: a avaliação é que a Itaipu Binacional não deve ser afetada pela instabilidade, porque o tratado é considerado muito completo.
- Relação bilateral: integrantes do governo levantam dúvidas sobre riscos de um vácuo de poder, mas não apostam em um governo mais hostil ao Brasil, dada a dependência econômica paraguaia.
Onde está a crise
O Congresso paraguaio suspendeu na tarde desta quinta-feira (5) a sessão que analisava a renúncia de Peña, e o Senado abriu à noite a sessão sobre o impeachment aprovado pela Câmara. Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank, que teve a liquidação iniciada pelo Banco Central na terça (3). Acompanhe a cobertura principal e o efeito sobre brasileiros com dinheiro retido.






















