O Ministério Público do Paraguai afirma que o Ueno Bank simulou a venda de uma carteira de créditos de US$ 74,4 milhões com dinheiro vindo da própria instituição. A informação surge no dia em que o presidente Santiago Peña renunciou em meio à crise do banco, fechado desde terça-feira (3). São afirmações do Ministério Público e da apuração em curso, ainda sem julgamento.
O que o MP descreve
- A carteira: eram créditos que o Ueno havia concedido ao Grupo Hendy, ao Grupo M e à MOWI, empresas ligadas ao banco e investigadas por créditos irregulares. A carteira somava US$ 74,4 milhões, segundo o Banco Central do Paraguai.
- A compradora: em 15 de junho deste ano, a carteira foi adquirida pela Vinanzas SA, empresa que o MP apurou pertencer também ao Ueno. Segundo a investigação do MP e do Banco Central, a Vinanzas tinha apenas US$ 93,8 mil em conta um dia antes da operação.
- O dinheiro: para comprar a carteira, a Vinanzas recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões em 15 de junho; horas depois, adquiriu os créditos do banco.
O caminho do dinheiro, segundo a imprensa paraguaia
- Empréstimos em junho: o jornal paraguaio Última Hora relata que o Ueno repassou, em 11 de junho, US$ 10 milhões à Technoma e outros US$ 10 milhões à La Tropa Fletes e, em 15 de junho, US$ 35 milhões à HD Invest, US$ 20 milhões à Satec e US$ 6,8 milhões à Factopar.
- Repasses: segundo o mesmo jornal, o dinheiro da HD Invest e da Satec foi direto à Vinanzas; as demais empresas teriam repassado os valores a outras companhias, inclusive ao Grupo Vázquez, sócio majoritário do Ueno, que os transferiu à Vinanzas. É uma reconstituição jornalística, que depende da confirmação da Justiça.
- Motivo da operação: o jornal diz que o banco se desfez das empresas ligadas a ele, entre elas MOWI, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime, depois de ser investigado pela Procuradoria e pressionado pela Superintendência de Bancos.
O contexto
- Oito pessoas ligadas ao Ueno foram presas, entre elas o presidente da instituição, dois vice-presidentes e o fundador. Ser preso na investigação não significa condenação.
- O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou na terça (3). Ele foi nomeado por Peña em 2023 e havia deixado a presidência do Ueno para assumir o posto.
- Peña, que renunciou nesta quinta, foi investidor da holding do Ueno até março de 2025. Veja o acompanhamento da crise e da renúncia e a situação dos brasileiros com dinheiro retido no banco.
Foto de arquivo do horizonte de Assunção, capital do Paraguai; a imagem não registra os fatos desta quinta.





















