Economia

Brasileiros ficam sem dinheiro no Ueno; análise vê risco limitado ao Brasil

Brasileiros e descendentes no Paraguai estão entre os clientes afetados pela quebra do banco digital. Para uma colunista de economia, o contágio ao sistema financeiro brasileiro tende a ser baixo; o risco maior é para comércio e investimentos.

Prédio da sede do Banco Central do Paraguai, com fachada clara, sobre uma área arborizada de Assunção sob céu fechado.
Sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção. Foto de arquivo: Cmasi, 2009 — CC BY-SA 4.0 (recorte). A imagem não registra a crise atual. Origem da fotografia. Condição de uso.

Brasileiros e descendentes que vivem no Paraguai estão entre os clientes afetados pela interrupção das operações do Ueno Bank, o banco digital cuja quebra levou o presidente Santiago Peña a renunciar nesta quinta-feira (5). Para uma análise de economia, o risco de contágio para o sistema financeiro brasileiro é baixo, mas a crise pode afetar o comércio e os investimentos de empresas do Brasil no país vizinho.

O que contam os clientes brasileiros

  • Quem ficou preso: segundo relatos colhidos pela reportagem, quem dependia só do Ueno enfrenta dificuldade para movimentar dinheiro; quem tinha contas em outros bancos conseguiu reduzir o impacto.
  • Casos relatados: uma jovem paraguaia, filha de brasileiro, diz ter transferido o dinheiro para outro banco ao ouvir rumores sobre o Ueno; a mãe e a irmã mantiveram os recursos na instituição e ficaram com os valores bloqueados. Um engenheiro de software carioca que mora no país há três anos diz que o saldo voltou a aparecer no aplicativo na quarta-feira (4), mas que ainda aguardava poder movimentar o dinheiro.
  • Por que atraía: um dos entrevistados afirma que a rapidez para abrir conta, sem necessidade de comprovar a origem do dinheiro, atraía estrangeiros, entre eles imigrantes do Brasil. É a visão de um cliente, não uma conclusão das autoridades.

O que a crise já provocou

  • Banco: o Banco Central do Paraguai interveio após considerar o Ueno insolvente; contas e investimentos foram bloqueados.
  • Prisões: oito executivos ou ex-executivos do banco estão em prisão preventiva. Estar preso não significa condenação.
  • Autoridade monetária: o presidente e mais dois diretores do Banco Central paraguaio renunciaram.
  • Política: a crise desencadeou o processo de impeachment e a renúncia de Peña, em acompanhamento na matéria principal do portal sobre o caso.

O risco para o Brasil, segundo a análise

A colunista de economia e negócios Lucinda Pinto avalia que a crise tem baixo potencial de contágio para os bancos brasileiros, porque não há, até o momento, evidências públicas de exposições interbancárias capazes de transmitir o problema, e porque a supervisão do Banco Central do Brasil é mais consolidada. É uma avaliação de análise, não uma conclusão oficial.

  • Comércio: entre janeiro e setembro de 2026, a corrente de comércio entre os dois países foi de US$ 5,84 bilhões: cerca de US$ 3,19 bilhões em exportações brasileiras e US$ 2,65 bilhões em importações, com superávit brasileiro de cerca de US$ 540 milhões.
  • Onde está o risco: uma crise prolongada pode reduzir a demanda por produtos brasileiros, dificultar pagamentos e afetar empresas com operações no Paraguai, em setores como autopeças, têxteis e manufaturados; para a análise, o impacto tende a ser localizado.
  • Antes da crise: em maio de 2026, segundo o FMI, os bancos paraguaios tinham índice de capital regulatório de 17,3%, acima do mínimo de 12%, e inadimplência de 2,6%. O Fundo já recomendava reforçar a supervisão e acompanhar a expansão acelerada do crédito ao consumidor.
  • Moedas: o sistema paraguaio é multimoeda, com depósitos e créditos em guaranis e em dólares, o que exige atenção extra à liquidez e ao câmbio em momentos de instabilidade.

Foto de arquivo (2009) da sede do Banco Central do Paraguai; a imagem não registra a crise atual.

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