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Governo Lula espera encontro com Trump no G20, em Miami, mas não fez pedido

Reunião bilateral seria à margem da cúpula de 14 e 15 de dezembro; nenhum dos lados pediu formalmente, e o Planalto aposta no novo Congresso americano como freio, sem esperar efeito imediato no tarifaço.

O presidente Lula, à esquerda, e o presidente dos EUA, Donald Trump, à direita, sorriem para a foto em sala da Casa Branca
Lula e Donald Trump na Casa Branca, em Washington, em 7 de maio de 2026. Foto de arquivo: Ricardo Stuckert/Lula Oficial — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra a cobrança dos parlamentares democratas. Origem da fotografia. Condição de uso.

Integrantes do governo Lula trabalham com a expectativa de uma reunião bilateral com Donald Trump ainda este ano, à margem da cúpula do G20, marcada para 14 e 15 de dezembro em Miami, na Flórida. Até a noite de quarta-feira (4), não havia pedido formal de nenhum dos dois lados, e o governo brasileiro avalia tomar a iniciativa se não houver sinal de Washington. É expectativa relatada por interlocutores, não encontro confirmado.

O que se sabe

  • Origem da expectativa: Trump disse publicamente que entraria em contato com Lula ao ser questionado sobre a vitória eleitoral do presidente brasileiro, segundo a apuração.
  • Sem pedido formal: o governo considera cedo para formalizar o convite, mas pode pedir o encontro caso os americanos não deem sinal.
  • Embaixada dos EUA: o posto está sem embaixador desde o início do governo Trump. A indicação de Daniel Perez foi feita de maneira considerada atabalhoada pelo lado brasileiro e ficou pendente; o governo avalia conceder o agrément, o aval diplomático, ainda este ano, como gesto para tornar a relação mais fluida.

A leitura do Planalto sobre o novo Congresso dos EUA

O Palácio do Planalto aposta que o Congresso de maioria democrata, eleito na terça-feira (3), funcionará como freio a Trump na América Latina, e vê o Brasil em posição mais forte na relação. Auxiliares de Lula também avaliam que a articulação internacional do bolsonarismo sai enfraquecida e que o novo Congresso pode favorecer o país em temas como regulação das big techs e meio ambiente. São avaliações do governo, não fatos verificados.

O governo, porém, não espera efeito imediato sobre o tarifaço. A tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em julho, e o Brasil contesta a base legal da medida na Organização Mundial do Comércio. As negociações formais foram retomadas em 31 de agosto, mas nada andou desde a última reunião, no fim de setembro: o USTR ficou de enviar uma proposta de termos e não enviou. O ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o resultado das eleições americanas não muda “absolutamente nada” nas negociações. Veja também a avaliação do senador Nelsinho Trad sobre a pressão ao tarifaço.

Agenda de Lula até o G20

Lula viaja à Turquia nos dias 11 e 12 de novembro e depois às Filipinas, com retorno em 16 de novembro. Em seguida vêm a cúpula do Mercosul, em Montevidéu, e o G20, nos Estados Unidos, onde pode encontrar Trump.

O que falta

Falta um pedido formal de reunião por qualquer das partes, a confirmação de Trump e a decisão brasileira sobre o agrément de Perez. Para o cenário mais amplo da eleição americana, veja a cobertura das midterms e a primeira fala de Trump após a derrota.

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