A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) a versão em comprimido do Wegovy, medicamento para obesidade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. É o primeiro remédio oral da classe dos agonistas de GLP-1, a das chamadas “canetas emagrecedoras”, liberado no Brasil para obesidade e sobrepeso. Ainda não há preço nem data de lançamento.
O que a Anvisa decidiu
- Princípio ativo: o comprimido tem a mesma semaglutida da caneta; muda a forma de uso, uma vez por dia em vez de uma injeção por semana.
- Quem pode usar: adultos com obesidade (IMC igual ou maior que 30) e adultos com sobrepeso (IMC entre 27 e 30) que tenham ao menos uma doença associada ao peso, como hipertensão ou diabetes tipo 2, sempre com mudanças na alimentação e atividade física.
- Trâmite: a fabricante pediu o registro em 30 de janeiro deste ano, e a decisão foi publicada no Diário Oficial da União pela Resolução 4.249/2026.
- Troca entre formas: segundo a Anvisa, quem usa a caneta poderá passar para o comprimido, e o inverso, quando o médico considerar adequado.
Como é o tratamento
O tratamento começa com 1,5 mg por dia, e a dose sobe aos poucos, passando por 4 mg e 9 mg até 25 mg na fase de manutenção, contra 2,4 mg por semana na caneta; a dose é maior porque parte da substância se perde no sistema digestivo antes de chegar ao sangue. O comprimido deve ser tomado em jejum, com pouca água, e é preciso esperar ao menos 30 minutos para comer, beber ou tomar outros remédios.
O que falta para chegar às farmácias
Antes da venda, o remédio precisa ter um preço máximo fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão do governo federal que define o valor-teto de todos os medicamentos vendidos no país. A Novo Nordisk disse apenas que o comprimido deve chegar às farmácias “nos próximos trimestres”; não informou previsão de preço nem se já pediu o valor à CMED.
No exterior
Os Estados Unidos aprovaram o comprimido em dezembro de 2025, e as vendas começaram em 5 de janeiro; para quem paga do próprio bolso, o preço vai de US$ 149 a US$ 299 por mês, conforme a dose. Os Emirados Árabes Unidos foram o primeiro país fora dos EUA a vender o remédio, em junho. O Reino Unido aprovou em junho e as vendas começaram em julho, em farmácias privadas. A União Europeia aprovou em julho, e a Alemanha foi a primeira do bloco a vender, em 1º de setembro. Segundo a fabricante, mais de 7 milhões de prescrições já foram dispensadas nos EUA.
A foto desta matéria é de uma caneta injetável de semaglutida de outra marca da mesma empresa, vendida na China, e não mostra o comprimido aprovado.






















