O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, deu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o relatório parcial da Polícia Federal que indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por fraudes em operações entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). A decisão é desta quarta-feira (4). A PGR também deverá opinar sobre as providências e os pedidos feitos pelos investigados.
O que a PF afirma
- O relatório, com mais de 700 páginas, foi enviado ao Supremo em 28 de outubro. A PF descreve Vorcaro como o “principal centro de comando, coordenação e decisão” de uma organização criminosa.
- Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa.
- Entre os indiciados estão ex-diretores do Master e do BRB, ex-sócio de Vorcaro, pessoas ligadas à Tirreno e um advogado que atuou na estruturação das operações.
- Os crimes investigados envolvem cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito vendidos pelo Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Segundo a PF, ao menos R$ 12,2 bilhões correspondem a créditos negociados sem comprovação de existência.
O que vem agora
A PF pediu a prorrogação da investigação por mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares, e a PGR também deverá se manifestar sobre esse pedido. Com base no relatório parcial, a Procuradoria poderá requerer novas diligências ou apresentar denúncia. Indiciamento é conclusão da investigação policial, não acusação formal nem condenação: não há denúncia, e as defesas não aparecem nas fontes consultadas.
Contexto
A Operação Compliance Zero apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do sistema financeiro. Vorcaro foi preso pela primeira vez em 18 de novembro de 2025, em Guarulhos, quando se preparava para viajar a Dubai, e novamente em 4 de março, por determinação do ministro André Mendonça, diante da suspeita de que tentava atrapalhar as investigações.






















