Três candidatos democratas ao Senado dos Estados Unidos se destacaram na reta final das eleições de meio de mandato: James Talarico, no Texas; Abdul El-Sayed, em Michigan; e Jon Ossoff, na Geórgia. Segundo reportagem do g1, os três despertaram a ira de Donald Trump em comentários feitos em comícios, e o desempenho deles pode pesar na disputa interna do partido, entre moderados e a ala à esquerda, rumo à escolha do candidato à Presidência em 2028.
O contexto
Para assumir o Senado, os democratas precisam manter as cadeiras que já têm e conquistar mais quatro. O g1 lembra que a corrida, até a guerra contra o Irã, parecia certa para os republicanos. Os números dos três em pesquisas estão na matéria sobre a pesquisa nos sete estados-chave; o mapa completo está em veja as 8 disputas.
James Talarico, no Texas
Aos 37 anos, Talarico está no quarto mandato como deputado estadual e é seminarista presbiteriano. Segundo o g1, combina fé cristã, discrição e apelos ao bipartidarismo e ameaça transformar em democrata um estado tradicionalmente republicano. O adversário é o procurador-geral Ken Paxton, que derrotou o senador John Cornyn nas primárias republicanas com ajuda de Trump.
A média de pesquisas do RealClearPolitics dá 47,6% a 44,7% para Talarico, segundo o g1; a pesquisa NYT/Siena, 50% a 43%. O Decision Desk HQ estima em 60% a chance de vitória dele, projeção e não resultado. O Texas não elege um democrata ao Senado desde 1988. Elon Musk gastou mais de US$ 150 milhões do próprio bolso para apoiar Paxton, segundo o g1. Talarico foi alvo de boatos sobre sua saúde quando ficou nove dias afastado da campanha por uma gripe, no fim de setembro.
Abdul El-Sayed, em Michigan
Médico, de 42 anos, El-Sayed representa a ala mais progressista do partido. Se vencer o ex-congressista republicano Mike Rogers, ex-agente do FBI de 63 anos, será o primeiro muçulmano no Senado dos EUA, segundo o g1. Ele derrotou a candidata moderada Haley Stevens nas primárias de agosto, e Stevens declarou neste domingo (1º) apoio a Rogers, sinal, segundo o g1, de que a pacificação do partido está distante.
As pesquisas dão vantagem de 3 a 7 pontos a El-Sayed, segundo o g1, e de 11 pontos na NYT/Siena, feita antes do apoio de Stevens a Rogers. Trump o chamou de jihadista e questionou sua lealdade aos EUA, em declarações que o g1 classifica como islamofóbicas; El-Sayed nega laços com a Irmandade Muçulmana, como Rogers afirma. O g1 também registra que ele criticou duramente Israel, defende cortar a ajuda militar dos EUA ao país e pediu desculpas por declarações sobre o massacre de 7 de outubro de 2023, condenando o antissemitismo. Na reta final, Barack Obama fez comício com ele em Detroit.
Jon Ossoff, na Geórgia
Aos 39 anos, Ossoff é o senador mais jovem em exercício e o único democrata com mandato que busca a reeleição em um estado vencido por Trump em 2024, segundo o g1. As chances dele contra o deputado republicano Mike Collins são de 69%, pelo RealClearPolitics, projeção e não resultado. Seu nome aparece como possível candidato à Casa Branca em 2028: por enquanto ele diz não ter interesse, e o g1 cita uma pesquisa recente, que não identifica, na qual ele venceria o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. A campanha dele ataca Trump pela condução da guerra contra o Irã e pelo tratamento dos arquivos de Jeffrey Epstein.
O que está em jogo para o partido
Segundo o g1, se eleitos, os três poderão definir a trajetória do partido na disputa presidencial de 2028, numa batalha entre moderados e a ala à esquerda. A ala socialista dos democratas, que pode eleger número recorde de representantes e senadores, quer abrir um debate sobre o futuro da polícia migratória, o ICE. A cobertura geral está em Midterms de terça (3).
Texto baseado em reportagem do g1 (blog de Sandra Cohen, 2/11) e em dados de pesquisa de O Globo e Veja. Os números são os informados por esses veículos e não foram conferidos nas fontes originais. As campanhas de Paxton, Rogers e Mike Collins não foram ouvidas nas reportagens lidas.






















