EUA

Trump pede à Suprema Corte que suspenda a contagem de 20 mil votos na Califórnia

O Departamento de Justiça diz que os eleitores, que votaram pelo correio, provavelmente não são cidadãos; a Califórnia afirma que a lista do governo é falha. Um tribunal de apelações já havia rejeitado o pedido na sexta (30).

Fachada com colunas do prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington, com céu azul e um mastro de bandeira ao lado
Prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington, em 29 de maio de 2019 (recorte). Foto de arquivo: TgsVenom — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra o pedido do governo Trump sobre os votos da Califórnia. Origem da fotografia. Condição de uso.

O governo de Donald Trump pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (2), que impeça temporariamente a Califórnia de contar os votos pelo correio de mais de 20 mil eleitores registrados que, segundo autoridades federais, provavelmente não são cidadãos americanos. O pedido, do Departamento de Justiça, chega na véspera das eleições de meio de mandato e quer essas cédulas separadas das demais até que a cidadania de cada eleitor seja verificada.

O que o governo pede

Os nomes constam de uma lista compilada pelo Departamento de Segurança Interna e enviada às autoridades da Califórnia e do condado de Los Angeles. O governo quer que o estado separe os votos das pessoas incluídas nela e não os conte até que a cidadania delas seja comprovada, em medida provisória enquanto os ministros analisam o caso. Na petição, segundo o g1, o Departamento de Justiça sustenta que, uma vez misturados aos legítimos, os votos contestados causariam um dano “impossível de ser reparado”.

O caminho até a Suprema Corte

Em 15 de outubro, o Departamento de Justiça processou a Califórnia na Justiça Federal. Alega que o estado impede a aplicação de uma lei de 1996 que criminaliza o voto de não cidadãos em eleições federais, o que violaria a Cláusula de Supremacia da Constituição, que dá prevalência à lei federal em certas situações. Um tribunal federal de apelações rejeitou o pedido na sexta-feira (30), e o governo recorreu então à Suprema Corte. Em setembro, a Corte já havia rejeitado outra iniciativa do governo, a de restringir o voto por correspondência, modalidade mais usada por eleitores de tendência democrata, segundo o g1.

A resposta da Califórnia

O estado diz ter mecanismos rigorosos para impedir o voto de não cidadãos e afirma que a ação ameaça retirar o direito de voto de 20 mil pessoas com base em acusações vagas. Segundo a Califórnia, o método usado pelo governo para identificar possíveis não cidadãos nos registros eleitorais é falho e provavelmente contém vários erros, conforme documentos apresentados à Justiça. Os autos não foram lidos por Os Poderes; a descrição vem das reportagens citadas.

O que se sabe sobre voto de não cidadãos

Estudos e auditorias estaduais mostram que o voto irregular, inclusive de não cidadãos, é raro, segundo g1 e Folha. Trump já fez alegações falsas de fraude eleitoral generalizada, inclusive sobre a eleição de 2020, que perdeu para o democrata Joe Biden. A Constituição atribui aos estados a organização das eleições, com algum grau de supervisão federal, e o g1 descreve a ação como uma rara intervenção federal no processo eleitoral. Em comício, Trump questionou também as eleições em três estados, sem provas, como mostra outra matéria do site.

Por que a Califórnia pesa

A Califórnia é o estado mais populoso do país e reduto democrata, com 52 das 435 cadeiras da Câmara, mais do que qualquer outro, segundo a Folha. A apuração varia de estado para estado e pode levar dias, como explica a matéria sobre como funciona a apuração das midterms. O panorama geral da votação de terça (3) está na cobertura das midterms.

O que falta saber

  • Se a Suprema Corte vai decidir e quando: as reportagens lidas não informam prazo nem decisão.
  • Como o Departamento de Segurança Interna montou a lista e qual é a margem de erro dela: governo e Califórnia divergem, e os documentos não foram lidos.

Texto baseado em reportagens do g1 e da Folha de S.Paulo de 2 de novembro (a da Folha, publicada às 15h20); a petição do governo e a resposta da Califórnia não foram lidas.

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