O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou neste sábado (31), em coletiva, que o governo americano não esteve diretamente envolvido na saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, mas que o presidente Donald Trump havia decidido que o senador receberia permissão para entrar no país caso chegasse a um ponto de imigração. Segundo o Estadão, a fala ocorreu em Atlanta, durante a reunião de ministros das Relações Exteriores do G20.
O que Rubio disse
Em trechos reproduzidos pela CNN Brasil e pelo Estadão, o secretário afirmou: “Nós não facilitamos nada”. Ele disse que o governo soube da chegada de Flávio, que o senador “já tinha um visto” e que o presidente decidiu permitir a entrada. Também declarou que os Estados Unidos não estavam envolvidos em nenhum arranjo feito para a saída do Brasil e que, “pelo menos”, o governo americano não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas. Trump, segundo ele, deixou claro que, se Flávio chegasse ao país, receberia a parole, “e ele recebeu”.
O que é a parole
Segundo a CNN Brasil, Flávio, a mulher e ao menos uma das filhas aparecem nos registros da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) na categoria “DT”, de discretionary parole, concedida pelo Departamento de Segurança Interna com base em avaliação caso a caso. A reportagem descreve a parole como permissão temporária de entrada e permanência, que não equivale a visto nem a admissão formal pelo sistema de imigração, e diz que a autorização do senador vale por um ano. O Estadão registra que o Departamento de Estado havia informado na terça-feira (27) que pretendia emitir vistos à família; a CNN e o Estadão descrevem a fala de Rubio sobre o visto de formas diferentes (“visto garantido” e “visto prévio”), e este portal não teve acesso à transcrição da coletiva.
O que já havia sido publicado
Segundo o Estadão, os jornais Wall Street Journal e The New York Times informaram que o jato que levou a família a Miami foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca; o g1 acrescenta que o Wall Street Journal também citou o assessor do presidente argentino Javier Milei, Santiago Caputo, no plano. Já o jornal argentino Clarín, em reportagem de sexta-feira (30) resumida pelo Estadão, afirma que agentes americanos atuaram no aeroporto de Puerto Iguazú e que ao menos três jatos foram contratados. Essas versões são das publicações citadas; a fala de Rubio não as confirma nem as esclarece em detalhe, e a Casa Branca e o Departamento de Estado encaminharam as perguntas sobre a entrada ao Departamento de Segurança Interna, que disse que o senador e a família “foram recebidos e inspecionados” pela CBP conforme as leis de imigração.
Deputados democratas enviaram perguntas a Rubio sobre o possível envolvimento americano, com prazo de resposta até 13 de novembro, segundo o Clarín citado pelo Estadão (veja o que os democratas poderiam fazer). Flávio disse na sexta, em transmissão ao vivo, que ninguém foi responsável por sua saída e que decidiu com a mulher, sem que outras pessoas soubessem (CNN Brasil; matéria sobre o vídeo).
O que falta saber
Não há, nas fontes lidas, esclarecimento sobre quem pagou ou organizou o jato nem sobre o papel de agentes americanos em território argentino; a declaração é de uma das partes envolvidas e não foi checada de forma independente por este portal. A declaração de Rubio chega depois de reportagens que apontavam vans e apoio argentino e de a Casa Branca não pretender apoiar Flávio como líder do Brasil, segundo fontes ouvidas pela Reuters.






















