O PL deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas vai insistir em ter um dos seus no comando do Senado, com o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), segundo a CNN Brasil, em reportagem publicada às 3h15 de sábado (31). A estratégia, diz o texto, busca evitar que o partido, mesmo com a maior bancada, fique isolado e perca espaço na divisão das comissões.
Por que o PL quer entrar no bloco de Motta
Na Câmara, a ordem de escolha das presidências das comissões segue a proporcionalidade dos blocos formados no dia da posse: quem está em bloco grande escolhe primeiro e mais vezes. Um partido que fica de fora é contado sozinho e tende a escolher mais tarde, quando as comissões mais disputadas já foram tomadas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tradicionalmente a primeira a ser escolhida, é a que o deputado Nikolas Ferreira (PL) almeja presidir, e poderia escapar do partido se ele ficar fora do bloco.
A ala ligada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende que, sem acordo com Motta, de nada adianta ter a maior bancada. O PL chegou a estudar candidatura própria, com os nomes do líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e do vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ), mas a ideia perdeu força diante da avaliação de que Motta tem maioria confortável. Segundo a reportagem, ele já reuniu o apoio de 15 partidos, incluindo o PT, que anunciou apoio oficial.
Resistências dos dois lados
- No PL: a ala mais radical resiste a endossar Motta pela proximidade dele com o presidente Lula (PT).
- No PT: os petistas ameaçam deixar o bloco de Motta se o presidente da Câmara fechar apoio também com o partido de Flávio Bolsonaro.
- Com Motta: segundo deputados da bancada ouvidos pela reportagem, ele tem indicado a articuladores da esquerda que ouvirá as demandas do PL, mas que o PT teria prioridade.
O PL convocou reunião dos integrantes para terça-feira (3), às 18h, para definir a posição sobre a disputa e a distribuição de cargos no Legislativo.
No Senado, o cenário é mais difícil
O PL saiu das urnas com a maior bancada da Câmara, 121 deputados (eram 99), contra 70 do PT; a federação PT, PCdoB e PV terá 88, a segunda maior. No Senado, elegeu 19 senadores e, somados aos nove com mandato até 2031, terá 28 das 81 cadeiras a partir de 2027, também a maior bancada (hoje são 15). Mesmo assim, a CNN diz que, segundo sua apuração, a chance de a oposição não lançar candidato à presidência da Casa “é zero”.
Flávio já anunciou a intenção de indicar Marinho, como o Os Poderes mostrou após a live dele nos Estados Unidos. O atual presidente, Davi Alcolumbre, diz a interlocutores que reúne ao menos 48 votos para continuar; PP e Republicanos já anunciaram apoio a ele. Como a votação é secreta, a reportagem ressalva que o anúncio dos partidos não garante os votos individuais, e cita Guilherme Derrite (PP), Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS) como parlamentares que devem apoiar o candidato da oposição. No Senado, os blocos costumam ser definidos depois da eleição da Mesa, o que reduz a pressão para o PL se juntar a Alcolumbre antes da votação.
O fator STF
A resistência do PL a Alcolumbre passa pelos pedidos de impeachment de ministros do Supremo, que hoje o presidente do Senado decide sozinho se aceita ou arquiva; há dezenas parados, muitos contra Alexandre de Moraes. A oposição articula mudar o regimento para que o pedido avance com 49 assinaturas. Aprovar o impeachment de um ministro exige 54 votos (dois terços), longe dos 28 do PL, mas, segundo a reportagem, uma ala do STF se preocupa porque estima que cerca de 50 senadores são declaradamente favoráveis. A reportagem lembra ainda que Lula, reeleito, poderá indicar ao menos quatro ministros ao STF e seis ao STJ até o fim do mandato, e que a rejeição de Jorge Messias pelo Senado deixou uma vaga aberta no Supremo desde a saída de Luís Roberto Barroso.
Sobre a disputa no Senado, veja também PL rejeita apoiar Alcolumbre e vai lançar Marinho e o levantamento sobre os eleitos do PL e a carta de Flávio.
Fonte lida: CNN Brasil, “PL deve apoiar reeleição de Hugo na Câmara e insistirá em aliado no Senado”, publicada em 31/10/2026, às 3h15 (consulta em 31/10, 7h). Informações de bastidores atribuídas à reportagem; os partidos não confirmaram oficialmente as posições.






















