A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou 38 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026, cerca de um a cada três dias, segundo levantamento obtido pelo jornal O Globo e publicado às 3h30 de sábado (31). Os dados incluem cinco assassinatos, 35 casos de racismo, 11 ameaças de morte, 18 agressões físicas e sete casos de violência de gênero, em 15 estados.
O que mostram os números
Segundo a entidade, a maior concentração ocorreu entre o início da campanha e o primeiro turno (18 casos); 13 ocorreram no contexto do segundo turno e seis depois da votação, com apenas um registro na pré-campanha. A violência atingiu 30 povos e 35 territórios, entre eles Yanomami, Guarani e Xavante. O coordenador jurídico da Apib, Ricardo Terena, atribuiu a escalada à eleição e disse que a violência “foi estimulada por candidatos” que usaram os direitos indígenas como palanque. A afirmação é da entidade, e o jornal não aponta candidatos.
Mato Grosso do Sul e as providências
Entre os casos mais graves relatados após o segundo turno estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e ameaças de envenenar a água de comunidades em Tacuru e Nioaque, segundo a Apib. Na quinta-feira (29), a entidade enviou carta ao presidente Lula pedindo medidas urgentes; o Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal uma denúncia da aldeia Sassoró, em Tacuru, que cita áudios de WhatsApp sobre contaminar a água. As deputadas Sônia Guajajara e Célia Xakriabá (PSOL) cobraram os ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas, o MPF e o TSE.
O Ministério Público Federal informou ter aberto procedimentos para apurar as denúncias de ataques e intimidações e, em Naviraí, uma investigação sobre supostos homicídios motivados por conflito político. O órgão afirmou, porém, que apuração detalhada da Procuradoria da República em Dourados desmentiu o que chamou de “boatos”, sem especificar, na reportagem, quais denúncias seriam esses.
O que ainda não está confirmado
Os 38 casos são contagem da Apib e não passaram por verificação independente; a conexão de cada caso com a disputa eleitoral é a classificação da entidade. O Os Poderes mostrou antes que uma força-tarefa do governo vai apurar as ameaças a indígenas guarani-kaiowá no Mato Grosso do Sul.






















