Três em cada quatro políticos eleitos pelo PL ignoraram a carta em que o senador Flávio Bolsonaro contestou o resultado da eleição presidencial, segundo levantamento do jornal O Globo publicado às 3h30 deste sábado (31). Dos 155 eleitos do partido analisados, 117 (75%) não compartilharam nem defenderam o texto; 38 o fizeram.
O que o levantamento mediu
O universo analisado tem 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores eleitos pelo PL. O jornal examinou publicações em redes sociais, entre vídeos e mensagens, feitas depois do segundo turno. Há dois recortes diferentes: um mede a reação à carta (75% a ignoraram); o outro, o reconhecimento público da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste, segundo o jornal, 86% dos eleitos pelo partido não reconheceram publicamente o resultado, mas o recorte inclui quem aceita a derrota e preferiu o silêncio. O número de 86% já era tema de outra matéria do Os Poderes.
Quem reconheceu e quem endossou
Segundo a reportagem, reconheceram publicamente a vitória de Lula o senador Marcio Bittar (AC) e os deputados André Fernandes (CE), Major Vitor Hugo (GO) e Rosangela Moro (PR). Vitor Hugo disse que a diferença de mais de quatro milhões de votos e o reconhecimento do resultado pelas instituições tornam improvável uma reversão. Fernandes afirmou que não vai falar sobre urna nem golpe.
Entre os que endossaram o texto de Flávio, o jornal cita os senadores Magno Malta (ES) e Jorge Seif (SC), o senador eleito Gustavo Gayer (GO) e os deputados José Medeiros (MT) e Nikolas Ferreira (MG). A deputada Magda Mofatto (GO) compartilhou o documento e incentivou a divulgação. Nikolas, apesar de comentar a carta, reconheceu que a chance de anular o resultado é praticamente nula. O levantamento é do jornal; o Os Poderes não refez a contagem nem verificou as publicações uma a uma.
A direção do PL e o isolamento de Flávio
Segundo o jornal, dirigentes do partido tentam convencer Flávio a abandonar a tese de que houve fraude nas urnas, por avaliarem que insistir no assunto compromete a agenda da oposição e pode desgastar a legenda. A reportagem observa que não há indício de fraude. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, criticou a manifestação na quinta-feira (29), depois de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, e disse que a carta não foi aprovada pelo partido. Integrantes do PL, diz o texto, temem que o senador reforce as acusações e dificulte a reorganização da oposição no Congresso.
A carta foi divulgada depois de Flávio descumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de entregar os passaportes. Nela, alegou fraude e se declarou o “verdadeiro presidente eleito”; sob pressão de aliados, passou a usar “líder do Brasil”, mas manteve os questionamentos. Lula venceu por 4,4 milhões de votos.
O que vem a seguir
De acordo com aliados ouvidos pelo jornal, Flávio planeja ir a Washington na próxima semana para abrir diálogo direto com integrantes do governo americano. O principal objetivo seria uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio. Uma audiência com Donald Trump chegou a ser considerada, mas interlocutores avaliam que seria difícil de viabilizar agora. Também são mencionados possíveis encontros com representantes do Tesouro e parlamentares republicanos. São planos relatados por aliados, não agenda confirmada. Flávio falou da saída do país em sua primeira live nos Estados Unidos; o caso completo está na matéria principal. O texto lido não traz manifestação de Flávio sobre o levantamento.






















