O economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central de 1999 a 2003, disse em entrevistas de julho e agosto que o Brasil corre risco de entrar em recessão em 2027. As falas são anteriores à eleição de 25 de outubro, e este portal não encontrou, até as 5h de sábado (31), declaração nova dele sobre recessão nos veículos de imprensa consultados.
O que ele disse em julho
Na entrevista à Veja, publicada em 24 de julho e resumida pelo Poder360, Fraga afirmou que a economia enfrenta uma crise estrutural grave e que a situação fiscal é insustentável, sinal que ele via no fato de o próprio governo encurtar o prazo da dívida. Sobre o risco de recessão em 2027, disse: “Acho que podemos entrar em uma recessão”. Segundo ele, o mercado de crédito dá sinais de deterioração parecidos com os de períodos que antecedem recessões, e por isso recomendou a empresas e famílias que preservem o caixa e evitem empréstimos.
Fraga criticou o arcabouço fiscal, que, na avaliação dele, perdeu força logo no início, com os juros altos como resultado. Defendeu cortar ao menos 3 pontos percentuais do PIB em gastos tributários, que ele estima em 9% do PIB, e disse que a responsabilidade pelo quadro fiscal é dos três Poderes, com mais peso para Executivo e Legislativo. Afirmou ainda que Lula era o favorito na eleição e alertou para o risco de repetição do padrão fiscal do governo Dilma Rousseff.
O que ele disse em agosto
Ao SBT News, em 6 de agosto, um dia depois de o Copom cortar a Selic de 14,25% para 14% ao ano, Fraga repetiu que o país corre risco de recessão em 2027. Apontou como sinais a inadimplência no crédito pessoal, o varejo pressionado, empresas em recuperação judicial e um Estado endividado. Comparou o cenário ao do governo Dilma, quando o PIB caiu mais de 5% em dois anos e meio, e afirmou esperar estar errado. Sobre a dívida pública, que o Banco Central pôs em 81,9% do PIB em junho, disse que o risco tende a aumentar, sem falar em calote. Contou também que participa de um grupo que prepara uma proposta de reforma, a ser oferecida a quem vencesse a eleição.
O que mudou desde então
Lula foi reeleito no segundo turno, e o mercado reagiu mal. O Ibovespa fechou a semana após a eleição com perda de 18%, o pior desempenho semanal desde março de 2020, e o dólar subiu 9,15% na semana e chegou à maior cotação de 2026, segundo a CNN Brasil, em relato deste portal. O Poder360 atribui o movimento à cautela dos investidores com a política fiscal a partir de 2027. Em entrevista à CNN, um executivo da Moody’s apontou como principal desafio do novo governo aprovar medidas fiscais num Congresso mais à direita; a agência mantém a nota Ba1 (leia a matéria).
O que os dados de emprego mostram
O alerta de Fraga se apoia em crédito e contas públicas, não em emprego. A Pnad Contínua divulgada em 30 de outubro mostrou desemprego de 5,2% no trimestre encerrado em setembro e população ocupada recorde, de 103,6 milhões (veja o que é recorde e o que não é). Esses números não confirmam nem contradizem o risco para 2027, que é uma projeção.
O que ainda não se sabe
Fraga não apresentou, nos relatos lidos, uma previsão numérica para o PIB de 2027, e disse esperar estar errado. A fala é a avaliação de um economista, não uma projeção oficial, e este portal não a confrontou com as previsões de consenso do mercado para o crescimento do próximo ano.
Limites desta apuração
As falas vêm dos relatos do Poder360 (24/07, que resume a entrevista da Veja, não lida na íntegra) e do SBT News (06/08), lidos às 5h de 31/10. O Band publicou outra entrevista dele em 27/07, que este portal não conseguiu abrir (erro 403). Uma publicação regional de 26/10 que reproduz o alerta traz nota de que data, veículo e conteúdo original ainda precisavam ser conferidos, e por isso não foi usada. Se Fraga fez declaração nova sobre recessão depois de 6 de agosto, ela não consta das fontes lidas.






















