Brasil

Flávio cruzou para a Argentina em vans com ex-agente da Mossad, diz reportagem

Órgãos brasileiros apontam apoio de ao menos dois países e planejamento prévio, com o nome interno “operação Alba”; as informações vêm de fontes não identificadas.

Montagem de duas fotos de arquivo: à esquerda, o senador Flávio Bolsonaro falando a microfones; à direita, um jato executivo Gulfstream G400 decolando

Montagem de duas fotos de arquivo. À esquerda, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em entrevista, em abril de 2026: Senado Federal — CC BY-SA 4.0 (origem). À direita, um jato Gulfstream G400 de outra aeronave, em 2006: Planephotoman — CC BY 2.0 (origem); é o mesmo modelo citado na reportagem, não o avião do voo. As imagens não registram os fatos desta matéria. Condição de uso.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil rumo à Argentina por terra, em duas vans, com a mulher e as duas filhas, numa operação com apoio de ao menos dois países, segundo apurações de órgãos brasileiros obtidas com exclusividade pela CNN Brasil. As informações são de fontes de três órgãos não identificados e não foram confirmadas oficialmente; este portal não viu os registros citados.

O que a reportagem diz

Os órgãos que investigam a saída identificaram as vans que atravessaram a Ponte Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, na terça-feira (27), em imagens de câmeras de segurança. Segundo a CNN, os motoristas, pai e filho, levaram Flávio e a família em veículos separados.

A apuração aponta que um ex-agente israelense naturalizado norte-americano, que já trabalhou no Mossad, chegou ao Brasil em 19 de outubro e acompanhou o senador de Brasília até a Argentina, onde teria sido ajudado por integrantes do governo de Javier Milei. A reportagem afirma que ele estava na van de Flávio na travessia. A CNN não o identifica, e este portal tampouco.

De Puerto Iguazú, a família embarcou num jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa argentina de fretamento Baires Fly, com escala em Guayaquil, no Equador, e pousou em Opa-locka, em Miami, por volta das 10h30 de quarta-feira (28). A reportagem lembra que, segundo o New York Times, o voo teria sido providenciado por Jason Miller, estrategista de Donald Trump hoje funcionário especial na Casa Branca (matéria própria), e que Flávio usou ao chegar um passaporte diplomático já cancelado pela Polícia Federal.

“Exfiltração” e “operação Alba”

Integrantes do governo brasileiro, com base nas informações levantadas, disseram à CNN que “houve auxílio de estados nacionais da Argentina e dos Estados Unidos” e classificaram a operação como uma “exfiltração”. As fontes dos três órgãos também afirmam que informações desencontradas foram repassadas como parte do plano, para concentrar as atenções num local quando a saída ocorreria por outro.

A conclusão atribuída à investigação é que não se tratou de uma fuga de última hora, mas de um planejamento internacional “de grande envergadura”, com o nome interno de “operação Alba”. A PF avalia pedir ao Supremo o bloqueio de bens de Flávio, incluindo contas (matéria própria), e o Ministério da Justiça aguarda relatório da PF para decidir quais canais de cooperação internacional usará, ou se usará algum.

O que não está confirmado

Nas fontes lidas, não há manifestação de Flávio, do governo argentino ou do governo americano sobre as afirmações de apoio de Estado, nem nota oficial da PF ou do Ministério da Justiça. A imigração argentina já havia confirmado que Flávio entrou na noite de terça e voou ao Equador; o chanceler argentino negou que o Brasil tenha pedido explicações (matéria própria), e o dono do jato disse que o voo foi pago por um intermediário. Esses relatos não foram confrontados, nas fontes lidas, com o que a CNN descreve agora. Flávio disse, em live, que decidiu a saída com a mulher e sem avisar aliados (matéria própria). O caso é acompanhado na cobertura principal.

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