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Servidores de Tacuru admitem áudios com ameaça a indígenas, diz PF

Diretor da PF diz que os dois servidores confirmaram as gravações, mas alegam bebedeira e tensão pós-eleição; a apuração continua, e o governo mantém a força-tarefa para denúncias no MS.

Mapa do Mato Grosso do Sul com o município de Tacuru destacado em vermelho, no extremo sul do estado
Mapa de localização de Tacuru, em Mato Grosso do Sul. Ilustração, não é fotografia dos fatos. Base: Raphael Lorenzeto de Abreu / Wikimedia Commons — CC BY 2.5. Origem do mapa. Condição de uso.

O que mudou em 31/10

A Polícia Federal informou neste sábado (31) que os dois servidores da Prefeitura de Tacuru investigados por divulgar áudios com ameaças a indígenas da Aldeia Sassoró admitiram ter gravado as mensagens, mas negaram a intenção de cumpri-las, segundo o g1 MS e a TV Morena. A declaração é do diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, durante visita do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, ao estado. Os nomes dos servidores não foram divulgados.

De acordo com Freire, os dois foram ouvidos na sexta (30) e disseram que falaram sob efeito de bebida alcoólica e no “aquecimento” político logo após o resultado da eleição, sem intuito de materializar as ameaças; também afirmaram não ter meios para executá-las e atribuíram a menção a envenenamento a uma “brincadeira” e a uma palavra “mal colocada”. São alegações dos investigados, relatadas pelo diretor da PF; o delegado ressalvou que as conclusões não vão se basear apenas na versão deles e que a PF continuará reunindo provas. Segundo a reportagem, um dos servidores foi afastado, e a segurança na região está sendo monitorada. Terena disse que ataques serão tratados com rigor.

Situação em 30/10

O governo federal criou uma força-tarefa interministerial para receber denúncias de ameaças e ataques contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o 2º turno das eleições, disputado em 25 de outubro. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma ter contabilizado mais de 30 casos de violência ligados ao processo eleitoral no estado. O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimentos para verificar as acusações e, em um dos casos, concluiu que as denúncias eram boatos.

O que o governo anunciou

Na quinta-feira (29), o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a força-tarefa. Segundo ele, o Ministério da Justiça também pediu a todas as corregedorias estaduais e à do Distrito Federal que enviem as denúncias recebidas, para que o governo federal as centralize. O Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram ter acionado a Polícia Federal e acompanham as denúncias contra os guarani-kaiowá.

O que a Apib relata

De acordo com a Apib, a casa de uma rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, foi incendiada na manhã de quinta-feira, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. A entidade diz que o incêndio foi criminoso e destruiu também instrumentos sagrados usados em rituais do povo kaiowá e guarani, o que classificou como violação do direito à liberdade religiosa.

Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (30), um dos coordenadores da Apib, Voninho Guarani Kaiowá, disse que ameaças e ataques se intensificaram nos últimos dias e que as ocorrências incluem atropelamentos que já teriam resultado em mortes; um dos casos, afirmou, foi em Tacuru, na noite de domingo. Ele cobrou das autoridades que investiguem e punam os responsáveis. A reportagem-fonte não detalha esses casos nem informa a conclusão de investigação sobre eles.

Áudios com servidores municipais

Logo após o resultado do 2º turno, circularam nas redes mensagens de áudio que atribuem ao voto indígena a vitória de Lula (PT). Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia de Tacuru. O prefeito do município, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que o autor é servidor municipal. Em vídeo, ele chamou o episódio de “assunto chato demais da conta”, disse que o servidor é “excelente” e sustentou que o homem não mencionou indígenas. A prefeitura afirmou ter afastado o servidor temporariamente e aberto processo administrativo disciplinar. Segundo o prefeito, ele não trabalha no abastecimento de água nem dirige carros-pipa, ao contrário do que sugeriram algumas postagens.

Em outro áudio, um segundo servidor municipal, também não identificado, ofende indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista e ameaça um interlocutor.

O que diz o MPF

O MPF em Mato Grosso do Sul informou que abriu procedimentos, a partir das denúncias que a Apib levou a órgãos federais, para apurar se as acusações procedem e garantir a proteção dos territórios. O órgão não confirmou crimes em todos os casos. Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflito político eram boatos e que imagens fora de contexto foram associadas, falsamente, a um suposto ataque contra indígenas. Em Tacuru, o MPF deu prazo de 48 horas para a prefeitura prestar informações sobre a atuação dos servidores e recomendou o afastamento cautelar e a abertura de processo disciplinar.

O que ainda falta

Os números de casos são da Apib e não foram confirmados de forma independente nem por autoridade; o MPF, em um município, classificou denúncias como desinformação. A PF diz que a investigação continua e não há, nas reportagens lidas, conclusão do inquérito nem balanço oficial da força-tarefa. OsPoderes não localizou manifestação dos dois servidores além do que o diretor da PF relatou.

Fontes: texto da Agência Brasil republicado pelo Poder360 em 30/10/2026 (lido às 18h) e g1 MS/TV Morena em 31/10/2026 (lido às 19h20). O mapa de localização é apenas ilustrativo.

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