A indústria de fundos perdeu R$ 110 bilhões na segunda-feira (26), primeiro pregão após o resultado da eleição presidencial, e os fundos de ações estão entre os mais atingidos, segundo levantamento publicado pelo Estadão nesta sexta-feira (30). Dados da Economatica mostram carteiras com perdas de até 44,5% no fechamento daquele dia, contra queda de 13,88% do Ibovespa, a maior desde março de 2020, segundo a reportagem.
Quais fundos mais caíram
Entre os fundos com patrimônio acima de R$ 100 milhões e mais de 50 cotistas, a maior queda foi a do Alaska Black, gestor Henrique Bredda. Na sequência, segundo o levantamento:
- Reach Total Return: queda de 37,3%;
- Az Quest Small Mid Caps: 35,4%;
- Rio Bravo Radix: 34,3%;
- Az Quest Top Long Biased: 32%;
- BB Ações Small Caps: 30,9%;
- Itaú Small Cap Valuation: 27,6%.
Os movimentos mais intensos ficaram em fundos com patrimônio de até R$ 700 milhões, e a maior parte dos fundos da lista é de casas independentes, mas a pressão também apareceu em gestoras de bancos.
Por que caíram mais que o índice
Em uma amostra de 157 fundos acompanhados pela Nord Investimentos, com dados da Economatica, a queda mediana dos fundos de ações foi de 21,8%, contra 13,9% do índice; apenas 9 dos 55 fundos de ações analisados tiveram desempenho melhor que o Ibovespa. Levantamento da Comdinheiro/Nelogica registrou que todos os 43 fundos de small caps analisados tiveram, em 26/10, o pior retorno diário de suas séries, com queda mediana de 27,58%.
A reportagem atribui o tombo à alta de três pontos percentuais na expectativa para os juros longos, impulsionada pela percepção de que um novo mandato do governo Lula não fará ajuste nas contas públicas. Juros futuros mais altos pressionam as ações, sobretudo de empresas endividadas, dependentes de crédito ou de projetos de longo prazo. Segundo o texto, locação de veículos, varejo, rodovias e saúde caíram mais de 55% em um único dia, enquanto Vale, Suzano, Embraer e WEG, com receita em dólar ou menos ligadas ao ciclo doméstico, fecharam em alta. Carteiras concentradas em poucas ações, que caem 30%, 40% ou 60%, podem perder bem mais que um índice diversificado.
O que dizem as gestoras
A reportagem diz ter procurado todas as gestoras. A BB Asset afirmou, em nota, que o desempenho em um único pregão mostra a reação ao choque eleitoral, mas não permite avaliar a qualidade da gestão. Para o gestor Luiz Sedrani, da Moat, muita gente tentou sair ao mesmo tempo em um leilão de abertura sem comprador. Rodrigo Santoro, da Bram (Bradesco), disse que o fundo Bradesco Ações Mid e Small Caps caiu 26,93%, pouco acima do índice de small caps, que recuou 26,9%.
Contexto e limites
Os números vêm de levantamentos de terceiros citados pelo Estadão; este portal não os recalculou. Perdas de um pregão não medem o desempenho de longo prazo: segundo a reportagem, em 2026 apenas 4 dos 55 fundos da amostra superavam o Ibovespa. Sobre o pregão de 26/10 e as discussões de ajuste fiscal, veja também a matéria sobre o impasse do ajuste no governo e a estimativa da IFI para o déficit de 2027.






















