Economia

Leilão de transmissão da Aneel vende os 8 lotes; investimento é de R$ 8,9 bi

Grupos espanhóis levaram sete dos oito lotes, com deságio médio de 50,1%; a EDP ficou com o restante e a Axia, ex-Eletrobras, não levou nenhum.

Torre metálica de linha de transmissão de energia elétrica, com cabos no céu azul, em Telêmaco Borba, Paraná
Torre de transmissão de energia, em Telêmaco Borba (PR), em 27/11/2021. Foto de arquivo: Simplus Menegati — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra o leilão. Origem da fotografia. Condição de uso.

O último leilão de ativos de transmissão de energia de 2026, realizado pela Aneel na sede da B3, em São Paulo, nesta sexta-feira (30), arrematou todos os 8 lotes oferecidos, com deságio médio de 50,1%, segundo o Poder360. O investimento estimado em ampliação da rede elétrica é de R$ 8,9 bilhões, em obras em sete Estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.

Sete lotes foram vencidos por empresas controladas por grupos espanhóis: Celeo Redes, Cymi e Neoenergia Transmissão SPE levaram dois lotes cada, e a Cox Brasil, um. O oitavo ficou com a EDP Transmissão Goiás, do grupo português EDP. A Axia Energia (ex-Eletrobras), que participou da maioria das disputas, não levou nenhum.

Os lotes e os vencedores

Região Vencedora RAP (R$ mi) Deságio Investimento (R$ mi)
Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul (1.167 km) Celeo Redes 377 50,55% 4.100
Região Metropolitana de São Paulo Cymi 78,7 57,08% 1.071
Paraná (Região Metropolitana de Curitiba) Cymi 96,4 46,36% 1.070
Paraná (Oeste e Sudoeste) Cox Brasil 37,8 53,46% 480,3
Bahia (Sul e Centro-Sul, 351 km) Neoenergia Transmissão SPE 59,8 51,21% 493,1
Paraíba (Sertão, 113 km) Neoenergia Transmissão SPE 68 38,55% 665,3
Rondônia (Porto Velho) Celeo Redes 66,6 48,02% 753,2
Goiás (Nordeste goiano, 126 km) EDP Transmissão Goiás 26,5 53,2% 317

RAP é a Receita Anual Permitida, valor fixo que as concessionárias recebem para construir, operar e manter linhas e subestações. Vence quem oferece a menor RAP, ou seja, o maior desconto sobre o teto fixado pela Aneel para cada lote.

O que foi ofertado

O governo ofereceu a construção e a manutenção de 1.866 km de novas linhas, a continuidade da operação de 483 km de linhas existentes e a instalação de 12.694 MVA de capacidade de transformação em subestações. As concessões duram 30 anos, com prazos de entrada em operação de 42 a 60 meses, contados da assinatura dos contratos. O governo estima que as obras criem 20.300 empregos.

Em nota divulgada depois do leilão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou que os lotes reforçam a segurança e a resiliência do sistema elétrico e preparam o país para novas demandas, como data centers e inteligência artificial. O lote do Nordeste goiano, vencido pela EDP, foi o mais disputado, com oito ofertas.

Limite da apuração

Os números vêm da reportagem do Poder360; este portal não consultou o edital nem o resultado oficial da Aneel. Valores de investimento são estimativas, não gasto realizado.

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