Economia

Desemprego de 5,2% não é o menor da série; ocupação e massa de renda são recorde

A taxa é a menor para um 3º trimestre, mas a mínima da série é 5,1%, do fim de 2025; a renda média de R$ 3.790 ficou R$ 21 abaixo do pico, segundo tabelas do IBGE.

Entrada de um feirão de empregos em Belo Horizonte, com faixa e painel do evento diante das portas de vidro de um centro cultural; um funcionário aparece à esquerda.

Entrada do Feirão de Empregos, no Centro de Referência das Juventudes, em Belo Horizonte, em 18/11/2025. Foto de arquivo: Andrevruas — CC BY-SA 4.0. A imagem não registra os dados da Pnad Contínua divulgados nesta sexta-feira (30). Origem da fotografia. Condição de uso.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada nesta sexta-feira (30) pelo IBGE traz vários indicadores em patamar histórico no trimestre de julho a setembro, mas nem todos são recorde da série, iniciada em 2012. Pelas tabelas do instituto, a população ocupada e a massa de rendimento batem a máxima; a taxa de desemprego (5,2%) e a renda média (R$ 3.790) ficam perto das melhores marcas, sem superá-las.

Esta matéria complementa a cobertura da divulgação, que traz os demais números da pesquisa.

O que é recorde e o que não é

Indicador Agora (melhor da série) Recorde?
Ocupados (milhões) 103,6 (103,6) Sim
Massa de renda (R$ bi) 387,5 (387,5) Sim
Taxa de desemprego (%) 5,2 (5,1) Não
Renda média real (R$) 3.790 (3.811) Não
Valores de jul–set 2026 e, entre parênteses, a melhor marca da série: ocupados e massa de renda, em jul–set 2026; taxa de desemprego, em out–dez 2025; renda média, em jan–mar 2026. Fonte: IBGE, Pnad Contínua (Sidra, tabelas 6320, 6381, 6390 e 6392), consulta em 30/10/2026. Trimestres móveis desde 2012; valores de renda corrigidos pela inflação.

Desemprego: o menor para um 3º trimestre, não de toda a série

A taxa de desocupação ficou em 5,2%: 0,4 ponto abaixo do mesmo trimestre de 2025 (5,6%) e 0,2 ponto abaixo do trimestre anterior, de abril a junho (5,4%). É o menor valor para um terceiro trimestre desde 2012. Mas não é o menor resultado de toda a série: a mínima é de 5,1%, no trimestre de outubro a dezembro de 2025, 0,1 ponto abaixo do atual.

A taxa tem sazonalidade: costuma subir no primeiro trimestre e cair nos seguintes. Foi assim em 2025 (7,0%, 5,8%, 5,6% e 5,1%) e se repete em 2026 (6,1%, 5,4% e 5,2% até agora). Por isso a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior é a mais adequada para medir a tendência.

Gráfico de barras da taxa de desemprego no trimestre de julho a setembro de cada ano, de 2012 a 2026: 7,1%, 7,0%, 6,8%, 9,0%, 11,9%, 12,5%, 12,0%, 11,9%, pico de 14,9% em 2020, 12,7%, 8,7%, 7,7%, 6,4%, 5,6% e 5,2% em 2026. Uma linha tracejada marca a menor taxa da série, 5,1%, registrada no fim de 2025.
Taxa de desemprego no 3º trimestre (julho a setembro), de 2012 a 2026. Fonte: IBGE, Pnad Contínua (Sidra, tabela 6381), consulta em 30/10/2026. Gráfico original do Os Poderes; as barras partem do zero.

Renda média: entre as maiores da série, mas abaixo do pico

O rendimento real habitual médio de todos os trabalhos foi de R$ 3.790, com alta de 3,6% (R$ 131) em um ano. Na comparação com o trimestre anterior, as tabelas mostram alta de 1,0% (R$ 37), variação que o IBGE tratou como estabilidade, segundo a Agência Brasil e o Poder360.

O pico da série, nos valores corrigidos pela inflação, é de R$ 3.811, no trimestre de janeiro a março de 2026: R$ 21 a mais que o atual. O resultado de julho a setembro está entre os quatro maiores da série, todos de trimestres encerrados em 2026. A diferença de R$ 21 é menor que a margem de incerteza da pesquisa (o coeficiente de variação do rendimento médio é de 0,7%, ou cerca de R$ 27), então os dados não permitem afirmar que a renda de agora seja menor que a do pico, nem que seja recorde.

Ocupação e massa de rendimento: recorde

A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, a maior da série: 581 mil a mais que no trimestre anterior (alta de 0,6%) e 1,2 milhão a mais que um ano antes (1,2%). O nível da ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está ocupada, também foi recorde, de 59%, segundo a Agência Brasil. A massa de rendimento real habitual, soma do que todos os ocupados recebem, chegou a R$ 387,5 bilhões, igualmente a maior da série: R$ 5,6 bilhões a mais que no trimestre anterior (1,5%) e R$ 17,5 bilhões a mais que um ano antes (4,7%).

O emprego com carteira assinada no setor privado, sem contar domésticos, ficou estável em 39,4 milhões, segundo o Poder360. A taxa de informalidade foi de 37,5% dos ocupados (38,8 milhões de pessoas), contra 37,4% no trimestre anterior e 37,8% um ano antes, segundo a Agência Brasil.

Como os números foram conferidos

As páginas do IBGE bloquearam o acesso automatizado deste portal (erro 403). Os números e as comparações de recorde acima foram calculados a partir das tabelas 4099, 6320, 6381, 6390 e 6392 do Sidra, o banco de dados do instituto, consultadas em 30/10/2026; os valores de renda estão a preços de julho a setembro de 2026. Informalidade, nível da ocupação, carteira assinada e a classificação de estabilidade da renda vêm da Agência Brasil e do Poder360, que reproduzem a divulgação do IBGE. A Pnad é uma pesquisa por amostra, e todos os números têm margem de erro.

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